08.A vacina obrigatória-v1-cap01-m08

8. A vacina obrigatória (1904‑1907), cançoneta. Autor(es): desconhecido(s) • Intérprete: Mário Pinheiro • Gravadora: Odeon




Anda o povo acelerado com horror a palmatória

Por causa dessa lambança da vacina obrigatória

Os manatas da sabença estão teimando desta vez

Em meter o ferro a pulso bem no braço do freguês

E os doutores da higiene vão deitando logo a mão

Sem saberem se o sujeito quer levar o ferro ou não

Seja moço ou seja velho, ou mulatinha que tem visgo

Homem sério, tudo, tudo leva ferro, que é servido.

Bem no braço do Zé Povo, chega um tipo e logo vai

Enfiando aquele troço, a lanceta e tudo o mais

Mas a lei manda que o povo e o coitado do freguês

Vá gemendo na vacina ou então vá pro xadrez

Contam um caso sucedido que o negócio tudo logra

O doutor foi lá em casa vacinar a minha sogra

A velha como uma bicha teve um riso contrafeito

E peitou com o doutor bem na cara do sujeito

E quando o ferro foi entrando fez a velha uma careta

Teve mesmo um chilique eu vi a coisa preta

Mas eu disse pro doutor: vá furando até o cabo

Que a senhora minha sogra é levada dos diabos

Tem um casal de namorados que eu conheço a triste sina

Houve forte rebuliço só por causa da vacina

A moça que era inocente e um pouquinho adiantada

Quando foi para pretoria já estava vacinada

Eu não vou nesse arrastão sem fazer o meu barulho

Os doutores da ciência terão mesmo que ir no embrulho

Não embarco na canoa que a vacina me persegue

Vão meter ferro no boi ou nos diabos que os carregue.