14.Paulista e gaúcho-v1-cap02-m14

14. Paulista e gaúcho (1929), desafio. Autor: M. R. Lourenço • Intérpretes: Lourenço e Olegário • Gravadora: Victor


Paulista:

Viva o Estado de São Paulo

No mundo inteiro conhecido

Viva o povo paulista

No trabaio sempre intretido

Laí, lá, lai

No trabaio sempre intretido

Viva a pátria brasileira

E viva o meu Brasil querido

Gaúcho:

Viva o Rio Grande do Sul

Viva a terra das campina

Viva o Brasil inteiro

Viva o Estado de Minas

Laí, lá, lai

Viva o Estado de Minas

Viva o Antônio e o Getúlio

E Paraíba pequenina

Paulista:

Seu gaúcho mal-criado

Gaúcho, você é uma peste

Pra você cantá comigo

Muito tempo não arreseste

Laí, lá, lai

Muito tempo não arresseste

Vô abri bem a minha boca

E dá um viva ao Júlio Prestes

Gaúcho:

Sou gaúcho destemido

O meu jeito não disfarço

Num sô paulista que se prende

Com cabresto de cardarço

Laí, lá, lai

Com cabresto de cardarço

É o Getúlio que vai ganhar

Dia primeiro de março

Paulista:

Júlio Prestes é quem ganha

Júlio Prestes é competente

Júlio Prestes é caboclo forte,

É modelo de presidente

Laí, lá, lai

É modelo de presidente

De tudo Brasil inteiro

É São Paulo que está na frente

Gaúcho:

São Paulo, Estado rico

Os nosso não fica atrás

Em março na votação

Quero vê quem pode mais

Laí, lai, ai

Quero vê quem pode mais

É Paraíba e o Rio Grande

Junto com Minas Gerais

Paulista:

Mineiro só faz queijo

Gaúcho só lida cum couro

Paulista colhe o café

E é o café que vale ouro

Laí, lá, lai

E é o café que vale ouro

De tudo Brasil inteiro

São Paulo é a metade do Tesouro

Gaúcho:

Sêo paulista de uma figa

Largue de dizê burrada

Quem colhe o café em São Paulo

Não é você, é a italianada

Laí, lá, lai

Não é você, é a italianada

Paulista tem amarelão

Paulista não presta pra nada

Paulista:

Se os italiano aqui trabáia

Aqui é terra de dinheiro

Não é terra de revolução

Nem de povo desordeiro

Laí, lá, lai

Não é de povo desordeiro

Quem fala em ponta de lança

Pra assustá o mundo inteiro

Gaúcho:

É mió vamo pará.

O negócio tá compricano

To ôvino tiro de canhão

Metralhadora pipocando

Lai, lá, lai

Metralhadora pipocando

Essa é a nossa nação

Mês de março tá chegando

Paulista:

Pra carregá sua sordadesca

Impresta o bonde do mineiro

Aquele bonde que comprou

Foi lá no Rio de Janeiro

Lai, lá, lai

Foi lá no Rio de Janeiro

Paulista é civilizado

Não tem medo de berreiro

Gaúcho:

Sêo paulista malcriado

Veja que já tô zangano

Já te quebro ocê e destripo

Deixo c’o sangue pingano

Lai, lá, lai

Deixo c’o sangue pingano

O sinão garro a dá tiro

Até avermeiá o cano.