38.Pai João-v1-cap01-m38

38. Pai João (1932), toada. Autores: Almirante e Luiz Peixoto • Intérprete: Gastão Formenti • Gravadora: Victor


– Pai João, Pai João, ô nego.

– Tu parece matraca; não me burrece, não, solta a minha casaca

(risos)

– Sou preto véio,

Mas não sou dessa canaia

Meu peito tem três medaias

Que ganhei no Paraguai

Comi na faca

Mais de trinta cangaceiro

E o Antonio Conselheiro

Teve quase vai, não vai

– Pai João, Pai João,

Tás contando vantagem

– Nego não mente, não

Deixa dessa bobagem,

Garotagem, molecagem

Que eu sou preto de coragem,

Sou preto de condição.

Sou preto véio,

Mas sou um dos veteranos

Que judou Fuloriano

A tomar Viliganhão

Sou preto véio

Mas agora eu vou ser franco

Eu tô com os cabelos branco

De tanta desilusão

Quando era moço,

Fiz a guerra de Canudos

Pra mecês no fim de tudo

Me chamar de Pai João

(risos)