68.Saga da Amazônia-v2-cap-08-m68

6 8. “Saga da Amazônia” (1982).

Autor: Vital Farias. Intérprete: Idem. Gravadora: Araponga/ Lança/ Polygram. LP: Sagas brasileiras.

Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta Mata verde, céu azul, a mais imensa floresta No fundo d'água as iaras, caboclo, lendas e mágoas E os rios puxando as águas

Papagaios, periquitos cuidavam de suas cores Os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores Sorria o jurupari, o uirapuru, seu porvir Era fauna, flora, frutos e flores

Toda mata tem caipora para a mata vigiar Veio caipora de fora para a mata definhar E trouxe dragão-de-ferro, pra comer muita madeira E trouxe em estilo gigante, pra acabar com a capoeira

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar Pra o dragão cortar madeira e toda mata derrubar: Se a floresta, meu amigo, tivesse pé pra andar Eu garanto, meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá

O que se corta em segundos gasta tempo pra vingar E o fruto que dá no cacho pra gente se alimentar? Depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar Igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é o mar

Mas o dragão continua a floresta devorar E quem habita essa mata pra onde vai se mudar? Corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá Tartaruga, pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiurá

No lugar que havia mata, hoje há perseguição Grileiro mata posseiro só pra lhe roubar seu chão Castanheiro, seringueiro já viraram até peão Afora os que já morreram como ave de arribação

Zé de Nana tá de prova, naquele lugar tem cova Gente enterrada no chão

Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro Disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro Roubou seu lugar (bis)

Foi então que um violeiro chegando na região Ficou tão penalizado que escreveu essa canção E talvez, desesperado com tanta devastação Pegou a primeira estrada, sem rumo, sem direção Com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa Dentro do seu coração (bis)

Aqui termina essa história para gente de valor Pra gente que tem memória, muita crença, muito amor Pra defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta Era uma vez uma floresta na Linha do Equador