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5. Todos comem (1908‑1912), cançoneta. Autor: Luiz Moreira • Intérprete: João Barros • Gravadora: Victor Record


Comer é verbo da moda

Nem já se conjuga mais

Comeu diz a gente toda

Não quer ninguém se enjoar

Todos comem neste mundo

Comem o fidalgo e o plebeu

É portanto erro profundo

Dizer que o fulano comeu

Sem comer morre-se à fome

Come você, como eu

Come o moço, o velho come

Porque a mãe o pai comeu

Senador ou deputado

Que só faz oposição

E nunca diz apoiado

Ao governo da nação

Se um dia o governo apóia

O mesmo que combateu

Berra o povo: “Foi tramóia”

E as galerias: “Comeu”

Sem comer morre-se à fome

Come você, como eu

Come o moço, o velho come

Porque a mãe o pai comeu

Ninguém foge à lei da fome

Pois é fato bem sabido

Que neste mundo quem come

Acaba sendo comido

Enquanto a morte não come

Como o fidalgo e o plebeu

Sem comer morre-se à fome

Comigo mesmo diz que comeu

Come a velha, a moça come

Porque a mãe o pai comeu

Ninguém mais diz que come

Ninguém mais diz que comeu.