103.Meu Deus, que país é este?-v3-cap.-09-m103

103. “Meu Deus, que país é este?” (1992/1993).

Autor: Téo Azevedo. Intérpretes: Galdino Atalaia e Roque José. Gravadora: MD Music. LP: Os grandes repentistas do Nordeste v. 2 – Galdino de Atalaia & Roque José.

Que país é esse que o nome é Brasil

A política está mandando para a ponte que caiu

Que país é esse que o nome é Brasil

A política está mandando para a ponte que caiu

O nosso Brasil é bom, a política é imoral

Está faltando gente honesta e justiça social

Meu Deus, que país é esse

Ainda tenho esperança

E o que está acontecendo?

A podridão só avança

Preconceito, é drogas, é o tráfico de criança

Meu Deus, que país é esse que o imposto é um estorvo

Nunca vi se cobrar tanto e sugar o nosso povo

Que vive mais apertado do que um pinto no ovo

Mas o que está acontecendo que a coisa serpenteia

O ladrão pé de chinelo está preso na cadeia

O ladrão de colarinho está solto metendo a peia

O sistema carcerário, do jeito que ele ficou

Só se vê fuga e morte, não deu certo, fracassou

O preso sai da cadeia bem pior do que entrou

O bandido anda solto, livre como um cidadão

Em segurança total em casa ou na condução

O povo apavorado vivendo em uma prisão

O crime controla tudo, o cartel, barbaridade

Fazendo guerra na rua, mostrando capacidade

Que tem mais poder de fogo que qualquer autoridade

O ladrão de colarinho, que é mestre vigarista

Zombando das nossas leis, dando uma de artista

E aparece na TV debochando na entrevista

A criança abandonada, sem o lar e sem escola

Seu destino é os cruzamentos ou então pedir esmola

Ou virar um assaltante, matador que cheira cola

Extermínio de menores que vivem num mundo cão

Fruto da sociedade sem rumo e sem direção

É morto do mesmo jeito, igual a um boi no mourão

Em matéria de saúde o Brasil é um demente

A assistência está falida, não protege a nossa gente

O enfermo piora, o nosso Brasil doente

Para marcar uma consulta, o negócio é muito sério

Fica na fila de espera, que parece um mistério

Se o cliente estiver ruim, a consulta é o cemitério

A nossa nação indígena, um triste perfil retrato

O homem, com sua ganância, o nosso índio maltrata

Leva doença a esse povo, depois ainda lhe mata

Nosso povo da floresta, castanheiro e seringueiro

Dia a dia se acabando na arma de um pistoleiro

As riquezas naturais nos domínios de estrangeiros

O povo sem o que comer e a verdade nua e crua

Está surgindo nova raça, gente que mora na rua

Um povo sub-humano, o seu mundo é o da lua

Tem gente que come lixo pela falta de feijão

Quando tem sobra de feira é a única salvação

Ou tomar sopa de água cozida com papelão

Tem cara de espertalhão, com cara de fariseu

Afana nosso país, pegando o que não é seu

Dizendo “ganhei no jogo, foi sorte que Deus me deu”

Virou um baião de dois, não escapa nem doutor

No rolo tem presidente, senador, vereador

Prefeito e deputado, tem até governador

É um tal de inventa lei, vai e volta, volta e vem

Gasto de avião, hotel e o povo no xerém

Não sei para que tantas leis se não cumpriram as que tem

É fila para qualquer coisa, até água para beber

Tem fila para comprar pão, tem fila para nascer

Tem fila nos hospitais e tem fila para morrer

Só a tal politicagem ganha bem nessa nação

O pobre trabalhador não ganha nem pra seu pão

No emprego da miséria, no salário da ilusão

O futuro do Brasil para sair da podridão

Tem que ser sem a política – estraga nossa nação

A raça do nosso povo com coragem e união

O Brasil tira o chapéu a essa gente, o lobo

Vamos limpar o país e tirar fora o estorvo

Que o futuro desta terra depende do nosso povo

Que país é esse que o nome é Brasil

A política está mandando para a ponte que caiu

O nosso Brasil é bom, a política é imoral

Está faltando gente honesta e justiça social