23.Rebentô a revolução-v1-cap02-m23

23. Rebentô a revolução (1930), moda de viola. Autor: Manoel Rodrigues Lourenço (Mandi) • Intérpretes: Olegário e Lourenço • Gravadora: Victor


No dia 3 de outubro rebentou a revolução

Foi uma coisa bem feita, uma bonita combinação

Em Minas e no Rio Grande e em outros pontos da Nação

O exército se alevantou, ai, com as suas armas na mão

Contra o Washington Luís, brasileiro mais turrão.

Não houve quem não sentisse essa grande alteração

Pois a nossa família sofreu tanta aflição

E, valente, os generais compreenderam a situação

Pro governo federal mandaram uma intimação

Não saíssem com a renúncia, saía com a deposição

O exército revoltoso em Itararé fazia pressão

O exército legalista defendia a invasão

Muito, muito contrariado cumpria essa obrigação

O exército legalista tinha muita munição

Mas tinha pouca vontade de matar o próprio irmão

Triste fuzilaria se travou lá no Varjão

Metralhadora pipocava, ronco surdo de canhão

Tudo isso misturado parecia um trovão

No meio do tiroteio, gritos, xingos, reclamação

E o sangue dos brasileiros calava fundo no chão.

Chegou um telegrama cessando a mobilização

Gaúcho e paulista choraram de comoção

Acabou-se a inimizade, acabou-se a desunião

Foi deposto o presidente, acabou-se a perseguição

E viva o Brasil novo, terra do meu coração!