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Acervo/blog

A burguesia fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia

A burguesia não tem charme nem é discreta

Com suas perucas de cabelos de boneca

A burguesia quer ser sócia do Country

Quer ir a Nova Iorque fazer compras

Pobre de mim que vim do seio da burguesia

Sou rico mas não sou mesquinho

Eu também cheiro mal

Eu também cheiro mal

A burguesia tá acabando com a Barra

Afundam barcos cheios de crianças

E dormem tranquilos

E dormem tranquilos

Os guardanapos estão sempre limpos

As empregadas, uniformizadas

São caboclos querendo ser ingleses

São caboclos querendo ser ingleses

A burguesia fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia

A burguesia não repara na dor

Da vendedora de chicletes

A burguesia só olha pra si

A burguesia só olha pra si

A burguesia é a direita, é a guerra

A burguesia fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia

As pessoas vão ver que estão sendo roubadas

Vai haver uma revolução

Ao contrário da de 64

O Brasil é medroso

Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia

Vamos pra rua

Vamos pra rua

Vamos pra rua

Vamos pra rua

Pra rua, pra rua

Vamos acabar com a burguesia

Vamos dinamitar a burguesia

Vamos por a burguesia na cadeia

Numa fazenda de trabalhos forçados

Eu sou burguês, mas eu sou artista

Estou do lado do povo, do povo

A burguesia fede – fede, fede, fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia

Porcos num chiqueiro

São mais dignos que um burguês

Mas também existe o bom burguês

Que vive do seu trabalho honestamente

Mas este quer construir um país

E não abandoná-lo com uma pasta de dólares

O bom burguês é como o operário

É o médico que cobra menos pra quem não tem

E se interessa por seu povo

Tem seres humanos vivendo como bichos

Tentando te enforcar na janela do carro

No sinal, no sinal, no sinal, no sinal

No sinal

A burguesia fede

A burguesia quer ficar rica

Enquanto houver burguesia

Não vai haver poesia




Um canto novo Soa aos ouvidos Faz a cabeça Já está nas bocas E não se deve Prender um canto Se esse canto é de fé

O forte canto Vi em Angola Em Moçambique Em Cabo Verde Na Tanzânia Na Etiópia Mesmas cores das Guinés

Lá no Zimbabué Congo Em São Tomé e Benin Negros odores e carmim Vibro, me encanto Canto E até já nem me espanto Com os tambores e clarins




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