Vai tudo bem
Pelo de lado de lá.
Pelo lado de cá,
O que é que há.
Não há água
Nem leite, nem pão
Carne não se come
Faz baixar a pressão
O café
Vai de marcha a ré
Em compensação,
O Brasil foi campeão.
Autores: George Israel, Cazuza e Ezequiel Neves. Intérprete: Cazuza. Gravadora: Polygram. LP: Burguesia.
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
Quer ir a Nova Iorque fazer compras
Pobre de mim que vim do seio da burguesia
Sou rico mas não sou mesquinho
Eu também cheiro mal
Eu também cheiro mal
A burguesia tá acabando com a Barra
Afundam barcos cheios de crianças
E dormem tranquilos
E dormem tranquilos
Os guardanapos estão sempre limpos
As empregadas, uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses
São caboclos querendo ser ingleses
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua
Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos por a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo
A burguesia fede – fede, fede, fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Tem seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal, no sinal, no sinal
No sinal
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Autores: Rildo Hora e Martinho da Vila. Intérprete: Martinho da Vila. Gravadora: RCA Victor. LP: Novas palavras.
Um canto novo Soa aos ouvidos Faz a cabeça Já está nas bocas E não se deve Prender um canto Se esse canto é de fé
O forte canto Vi em Angola Em Moçambique Em Cabo Verde Na Tanzânia Na Etiópia Mesmas cores das Guinés
Lá no Zimbabué Congo Em São Tomé e Benin Negros odores e carmim Vibro, me encanto Canto E até já nem me espanto Com os tambores e clarins
