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Acervo/blog

Os boias-frias quando tomam umas birita Espantando a tristeza Sonham com bife a cavalo, batata frita E a sobremesa

É goiabada cascão com muito queijo Depois café, cigarro e um beijo De uma mulata chamada Leonor ou Dagmar

Amar O rádio de pilha, o fogão jacaré, a marmita, o domingo No bar Onde tantos iguais se reúnem contando mentiras Pra poder suportar

Ai, são pais de santo, paus de arara, são passistas São flagelados, são pingentes, balconistas Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados Dançando, dormindo de olhos abertos à sombra da alegoria Dos faraós embalsamados




Cansei de tanto trabalhar Na ilusão de melhorar Cinco filhos, mulher e sogra pra sustentar Setecentos e cinquenta cruzeiros, não dá Não dá, não dá, não, não dá Trabalhei demais por causa deles Os trajes deles são os de Adão e Eva Se acostumaram a passar mal Mas isto não é legal A vida que a gente leva




Eu hoje fiz um samba bem pra frente Dizendo realmente o que é que eu acho

Eu acho que meu samba é uma corrente E coerentemente assino embaixo

Hoje é preciso refletir um pouco E ver que o samba está tomando jeito

Só mesmo embriagado ou muito louco Pra contestar e pra botar defeito

Precisa ser muito sincero e claro Pra confessar que andei sambando errado

Talvez precise até tomar na cara Pra ver que o samba tá bem melhorado

Tem mas é que ser bem cara de tacho Não ver a multidão sambar contente

Isso me deixa triste e cabisbaixo Por isso eu fiz um samba bem pra frente ...




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