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Acervo/blog

O terreiro lá de casa

Não se varre com vassoura

Varre com ponta de sabre

Bala de metralhadora

Quem é homem vai comigo

Quem é mulher fica e chora

Tou aqui, quase contente,

Mas agora, vou-me embora

Como a noite traz o dia,

Com tristeza ou com demora

Terá quem anda comigo

Sua vez e sua hora

O que sou nunca escondi

Vantagem nunca contei

Muita luta já perdi

Muita esperança gastei

Até medo já senti

E não foi pouquinho não

Mas, fugir, nunca fugi

Nunca abandonei meu chão





Você que fala demais sem ter por quê

Contando coisas que ninguém vê, e tem mais

Você fala de Freud, e nunca lê,

Analisando o psiqué de quem

Sabe que você não é e que nunca deu fé

Dizer que a maré está do jeito que a gente quer

Você que fala de Liszt, que nunca ouviu,

Nem mesmo sabe se ele existiu, e tem mais

Você diz que lê Marx e nunca viu

Copacabana é o seu Brasil, vem cá

Pode ser que do meu lugar você vá se enxergar

Para então mudar, vem

Acho bom se você puder ser mesmo só mulher

Que é só o que você quer



Garoto genial de barba ou de bigode

Para ser original faz tudo o quanto pode

Na praia, ele anda quase nu

Cinema, só se for no Paissandu

Tem aulas de inglês no Museu que é da Imagem

E do Som, entende pouco, mas adora um vernissage

De fome, ele fala, mas não passa

Se o chamam de burguês, ele acha graça

É contra o imperialismo, mas só usa calça Lee

Tem soluções para o Nordeste, mas não quer sair daqui

Garoto Paissandu, garoto genial,

O orgulho da indústria nacional




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