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Acervo/blog

Falaram que não tem mais jeito, que a porta vai abrir

Desculpa, meu irmão, mas eu não levo fé

Porque quando fecharam essa mesma porta aí

Disseram que era só o tempo de tomar café

Aí botaram a mesa e almoçaram para valer

Lancharam boi com abóbora, jantaram até faisão

Enquanto a gente do lado de fora se assustava

Com o preço que subia do quilo de feijão

Essa não! Olha essa porta aí!

Quem fechou não é quem tem que abrir

Se essa chave a gente não pegar

Quem abriu pode querer fechar de novo

Também disseram que é preciso a gente dar uma mão

E que apertar o cinto vai ser a solução

Então que jeito eu dou para dar um jeito de usar cinto

Eu cinto mais não tenho, mas sigo oposição

A porta abriu um pouco e a gente olha lá para dentro

E vê a turma toda comendo no salão

E a gente poderia viver muito mais tranquilo

Com as sobras que essa turma deixa cair no chão

Essa não! Olha essa porta aí!...

(Mete o pé na porta! Boca no trombone! Olha o povo na rua!)



Diga, seu doutor, as novidades

Já faz tempo que eu espero

Uma chamada do senhor

Eu gastei o pouco que eu tinha

Mas plantei aquela cana

Que o senhor me encomendou

Estou confuso e quero ouvir sua palavra

Sobre tanta coisa estranha acontecendo sem parar

Por que que o posto anda comprando tanta cana

Se o estoque do boteco já está pra terminar

Derramar cachaça em automóvel

É a coisa mais sem graça

De que eu já ouvi falar

Por que cortar assim nossa alegria

Já sabendo que o álcool também vai ter que acabar?

Veja, um poeta inspirado em Coca-Cola

Que poesia mais estranha ele iria expressar?

É triste ver que tudo isso é real

Porque assim como os poetas

Todos temos que sonhar




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