100.Assassinato sem morte-v3-cap.-09-m100

100. “Assassinato sem morte” (1993).

Autor: GOG. Intérprete: Idem. Gravadora: Só Balanço. LP: Vamos apagá-los ... com nosso raciocínio.

Trocando ideias

Já perdemos altas horas de sono

Tentando encontrar

Uma saída pacífica

Pra uma das maiores injustiças

O abandono

Vai e me diz como se pode exigir

Algo desses peregrinos

Verdadeiros inquilinos

Das ruas que pagam

Um preço muito

Por esse aluguel

Se conheceram ali

Confusos esses marujos

Se descobrem em

Um barco furado

Cansados de sofrer

Sem saber o porquê

Se perguntam

Me diz, me diz

O que foi que eu fiz?

Porque estou aqui?

Eu sei sou prisioneiro

Mas que crime

Que eu cometi?

Querem me eliminar

Por todos os lados

Vejo estampada

A indiferença, a compaixão

Por que será?

Essas perguntas

Seguem sem respostas

Descobrem com o tempo

Que as mesmas punhaladas

Que hoje recebem

Também foram dadas

Sem piedade em seus pais

É demais

Carregando a cruz

Sempre pesada

E mesmo sem cometer falhas

São considerados suspeitos

Suspeitos que nada

Culpados da pobreza

Da indigência

São carmas com os quais

O sistema psicopata

Que queima, que aniquila

Que mata

Não sabe conviver

Não nos peça calma

Ironia você jogou todos

Nessa sua mente fraca

Diabólica

Só não contava com

A nossa revolta

Nossa volta por cima

Não nos peça perdão

Não vamos ter

Pegou pesado meu caro

Pegou pesado (4 x)

Se liga, o clima agora é tensão

Vamos engavetar o mandachuva, o pistolão

Traíras estão na mira

E nossa ira não é só pressão

Só que por sorte desses capachos

Será assassinato sem morte

Vamos apagá-los com nosso

Raciocínio

Quem diria

Tamanho atrevimento de

Uma raça que eles sempre

Consideraram de símios

Sub-raça

Subalternos eternos otários

Pode crer sempre foi

Um escracho a maneira

Pela qual nossos valores

Foram roubados, deturpados

Os livros raramente contam

Os verdadeiros fatos

A história é mapeada

E maldosamente criada para

Nos incriminar, denegrir

Nossa imagem

É assim que trabalha

O capitalismo selvagem

Direitos elementares, alimentares

Pasmem

Na cara dura negados

O pão de cada dia na sarjeta

Uma gorjeta dada

Com a pior das intenções

Não para matar a fome

Mas sim na dose exata

Para nos manter

Esfomeados

Dependentes dos barões

Dos poderosos chefões

Pelegos

Vamos devolver-lhes

O presente de grego

Se liga agora velho

Sai de baixo

Você não se tocou

Se ferrou

Seu campo tá todo minado

Francamente

Não somos fracos

Seu erro foi desprezar

O adversário

Somos francos atiradores

Perturbando suas últimas horas

O ataque maciço prossegue

Uma página na história se escreve

Sobre o mau político

Porque você não some daqui

Acho bom você abrir

Ninguém mais quer te ouvir

Vá, antes que alguém te apague

Evite seu próprio massacre

Você nunca foi a cura

Pelo contrário

Eterna doença

A causa de toda essa encrenca

Vá, nos deixe em paz

Falo em nome dos pobres, mendigos

Prostitutas do cais do porto

Onde prolifera o aborto

Não, meu Brasil não está morto

Se manda com a grana roubada

Eu falo de alma lavada

Você não é você

Você é simplesmente isso

É sujo, é podre, é lixo

E suas perguntas seguem sem resposta

É demais, é demais

Subalternos eternos otários

É demais, é demais

O pão de cada dia na sarjeta

Uma gorjeta com a pior das intenções

É demais, é demais

Se você ouviu, gostou, botou fé (4x)

Estamos juntos para o que der é vier