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106. “Como nossos pais” (1976).

Autor: Belchior. Intérprete: Idem. Gravadora: Philips. LP: Alucinação.

Não quero lhe falar, Meu grande amor, Das coisas que aprendi Nos discos

Quero lhe contar como eu vivi E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar Eu sei que o amor É uma coisa boa Mas também sei Que qualquer canto É menor do que a vida De qualquer pessoa

Por isso cuidado, meu bem Há perigo na esquina Eles venceram e o sinal Está fechado pra nós Que somos jovens

Para abraçar meu irmão E beijar minha menina na rua É que se fez o meu lábio,

O meu braço e a minha voz

Você me pergunta Pela minha paixão Digo que estou encantado Como uma nova invenção Vou ficar nesta cidade Não, não vou voltar pro sertão Pois vejo vir vindo no vento O cheiro de nova estação Eu sei de tudo na ferida viva Do meu coração

Já faz tempo Eu vi você na rua Cabelo ao vento Gente jovem reunida Na parede da memória Essa lembrança É o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber Que apesar de termos Feito tudo o que fizemos Ainda somos os mesmos E vivemos Ainda somos os mesmos E vivemos Como os nossos pais

Nossos ídolos Ainda são os mesmos E as aparências Não enganam não Você diz que depois dele Não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer Que eu estou por fora Ou então Que eu estou inventando

Mas é você Que ama o passado E que não vê É você Que ama o passado E que não vê Que o novo sempre vem

Hoje eu sei Que quem me deu a ideia De uma nova consciência E juventude Está em casa Guardado por Deus Contando os seus metais

Minha dor é perceber Que apesar de termos Feito tudo, tudo, Tudo o que fizemos Ainda somos Os mesmos e vivemos Ainda somos Os mesmos e vivemos Ainda somos Os mesmos e vivemos Como os nossos pais...