04.Carcará-v2-cap07-m04

4. “Carcará” (1965).

Autores: José Cândido e João do Vale. Intérprete: Maria Bethânia. Gravadora: RCA Victor. Compacto simples.

Carcará,

Lá no sertão

É um bicho que avoa que nem avião

É um pássaro malvado

Tem o bico volteado que nem gavião

Carcará,

Quando vê roça queimada

Sai voando e cantando

Carcará,

Vai fazer sua caçada

Carcará come inté cobra queimada

Quando o chega o tempo da invernada

O sertão não tem mais roça queimada

Carcará mesmo assim não passa fome

Os burrego que nasce na baixada

Carcará pega, mata e come

Carcará num vai morrer de fome

Carcará, mais coragem do que home

Carcará pega, mata e come.

Carcará é malvado, é valentão

É a águia de lá do meu sertão

Os burrego novinho num pode andá

Ele puxa no imbigo inté mata

Carcará pega, mata e come

Carcará num vai morrer de fome

Carcará, mais coragem do que home

Carcará pega, mata e come

(fala)

Em 1950, mais de dois milhões de nordestinos viviam fora de seus estados natais. 10% da população do Ceará emigrou. 13% do Piauí. 15% da Bahia. 17% de Alagoas.

Carcará pega, mata e come

Carcará num vai morrer de fome

Carcará, mais coragem do que home

Carcará pega, mata e come