05.Brasil sem educação-v3-anexo-10-m05

5. “Brasil sem educação” (1999).

Autores: Aliado G, Mano Ed e DJ Viola. Intérprete: Face da Morte. Gravadora independente. CD: O crime do raciocínio.

Aí, Ministro da Educação

O futuro da nação vai á escola só pela refeição Que ás vezes não tem o suficiente pra repetir o prato Que ás vezes não tem um arroz com feijão pra comer no barraco Aí bate o sinal da merenda Aquele moleque com fome agradece ao Estado, nem tá ligado Sonegação no imposto de renda Aí eu pergunto quem defenderá essas crianças a esperança Que não foi á escola por causa do frio ou da chuva Que não tem caderno, lápis, sapato nem blusa Dificilmente você entende o nosso lado O lado forte, o lado pobre, ao mesmo tempo fraco Seu filho agasalhado, bem nutrido Com chofer até a porta do colégio particular Será que você consegue avaliar a situação dessa criança Carente, faminta, machucada por dentro Por fora desiludida e ás vezes até sem família E não são poucas as crianças marginalizadas E o pior usadas para manter seu conforto Luxo, esbanjamento, eu não aguento As crianças dos seus direitos são privados Por vocês seus burocratas Aí ministro, Brasil sem educação ano 2000, que nada É hora da virada

Aí Ministro, sou porta voz desse povo faminto Meu povo sofre, sofre, se lembre bem disso Aí Ministro, sou porta voz desse povo faminto Se é que sou bandido, de educação eu preciso

Filhos de ricos, têm professores particulares Laboratório de línguas, aulas de arte Natação, ginástica e outros mais Aquela porra toda, recursos áudios-visuais Frequentam essas escolas modelos E o pobre três dias na fila não acha vaga pro seu filho Que desespero, o moleque pobre de baixa renda Não tem professor, incentivo, merenda Que dó, é preciso investir melhor O recurso do imposto de renda, entenda Quem não tem dinheiro não tem ensino digno então E você ainda diz que investe muito na educação Quem sonega a educação nega o direito de viver Pode crer que eu não sou bobo Cadê as faculdades para o povo Onde estão as promessas mostradas pela Globo Faculdade pública devia ser pública Na verdade é frequentada por playboys sem necessidade A vantagem é de quem vem de escola particular Com dinheiro pra pagar curso do pré-vestibular E morrer de overdose de tanto cheirar Pro pobre o estudo é tudo Pros ricos desgraçados é um processo sofisticado De recursos, frutos da sociedade desigual Origem de todo o mal

Aí Ministro, Brasil ano 2000, puta que o pariu Eu não entendo mais nada, é hora da virada

Aí Ministro sou porta voz desse povo faminto ...

A escola é caduca, mal ensina, deseduca, essa é a sina Estamos sem eira nem beira à beira do ano 2000 Profissão de pobre é pegar em fuzil 9 milímetros, oitão ou então ser lixeiro Gari, servente de pedreiro Um qualquer sem opção da linha de produção Quando envelhece estraga, não serve mais pra nada Não funciona como antes Te mandam pro conserto no posto do INAMPS Com cento e trinta e seis reais de salário Idoso, aposentado, inválido, ferrado Ou mais um desempregado desgraçado como eu Negar a educação é continuar a escravidão No Brasil sou mais um que foi oprimido Com aquele salário de fome iludido Preciso me alimentar pra poder estudar Ou será que o senhor ministro da Fazenda Arriscaria sobreviver um dia à base de merenda Na sexta série do primeiro grau só aprendi o básico Moleques que estudaram comigo poucos estão formados A maioria desempregado, outros drogados Alguns morreram, e outros angustiados se entregaram pro álcool Não aprendi na faculdade sou formado à base da verdade Não inclua o meu diploma que consegui na escola da rua Sou rapper de ideologia forte lutando pelo pobre Enquanto minha voz não for calada Aí Ministro, Brasil ano 2000 que nada, é hora da virada

Aí Ministro, sou porta voz desse povo faminto ...