06.A cidade contra o crime-v2-anexo-08-m06

6. “A cidade contra o crime” (1979/1980).

Autor: Gonzaguinha. Intérpretes: Idem. Gravadora: EMI-Odeon. LP: De volta ao começo.

A cidade contra o crime

(Cuidado, Moreira!)

Zing, crash, pow, bang, pum

Onda de violência se abate sobre as cidades

Todo mundo rouba todo mundo

Ninguém sabe mais quem é ladrão

Ou quem é polícia

Cada vez pior o dia a dia

Estava dando uns bordejos pelaí

Quando de repente a figura apareceu

E dentre tantos me escolheu

Mas o barulho da cidade está tão grande

Que eu não pude nem ouvir

Quando o pinta me rendeu

Não se move aí, ô meu

Mas que pinoia, eu o rei da paranoia

Que não largo a minha boia

Mesmo quando estou a pé

Como é que eu dou esse azarão

Eu faço parte desse medo coletivo

Já não sei nem se confio

Na polícia ou no ladrão

(a barra não tá mole não

Ladrão já tem que andar

Com plaqueta de identificação

A dita anda dura mesmo com a abertura)

O cara disse: fica quieto

Vai tirando toda a roupa

De conforme o que está no meu direito

E eu só via um defeito

A que eu vestia estava toda esburacada

Remendada, esfarrapada, bem puída, no maltrato

Vou tentar fazer um trato

Pensei de pressa adonde estava aquela quina

Que sobrou do meu trocado que hoje

Chamam de salário

Trabalhador, tu é otário

E foi aí que eu notei que o pivete

Tremia muito mais que eu

Que tava pela bola sete

Olhei melhor pro salafrário

Notei que a arma que o fulano segurava

Era meio que chegada a um cheiro de sabão

Na rapidez, meti a mão

O trinta e oito se partiu em zil pedaços

E o coitado do palhaço

Ficou meio sem ação

Aproveitei a confusão

Mandei que ele desvestisse a roupinha

Tá mais limpa do que a minha

E inclusive a santinha

Não esquece a sunguinha, hein ô

Ele chorava de bobeira

Me mostrando uma carteira

Que continha a exploração do seu patrão

Me livra desse meu irmão

Que eu não tive opção

A galinha comeu pipoca

Em cima da minha solução

Tá caro tudo no meu lado

Já não sei o que é feijão

Mas acontece meu amigo

Que eu também tô a neném

A concorrência oficial

Não tá deixando pra ninguém