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10.Estamos no século das luzes-vol.00-cap02-10

10. “Estamos no século das luzes” (1857)

Letra: A. F. Castro Leal. Música: Boaventura Fernandes do Couto. Intérprete: Tereza Pineschi. Gravadora: Por do Som. CD: “O teu gramofone é bão”.

Letra em Trovador e ACB. Partitura no IPB.

Estamos no século das luzes

Já não há que duvidar;

Temos gás por toda a parte

Para nos alumiar

A, E, I, O, U,

Já não custa aprender,

Já se ensina de repente

Sem as letras conhecer.

Temos estradas de ferro

Para mais depressa andar,

Todos hão de correr tanto

Que por fim hão de cansar.

Ba, be, bi, bo, bu, etc

Já com novo calçamento

Vejo as ruas se calçar;

De fino sapato e meia

Já se pode passear.

Ça, ce, ci, ço, çu, etc.

Já se alargam bem as ruas,

A do Carmo é a primeira;

Hoje tudo são progressos

Da famosa ladroeira.


Da, de, di, do, du, etc.

Água suja, cisco e tudo

Já se não deve ajuntar;

É só lançar-se nas ruas

Que as carroças vêm buscar.

Fa, fe, fi, fo, fu, etc.

Já se seguram as vidas,


Já se não deve morrer;

Quem tem sua creoulinha

Não tem medo de a perder.

Ga, gue, gui, go, gu, etc,

Temos água pelos cantos,

Que sempre estão a correr;

E sujo por falta de água

Ninguém mais deve morrer.

Ja, je, ji, jo, ju, etc.

Já temos grandes teatros,

E a empresa quer crescer;

Estamos – num céu aberto,

Isso sim, é que é viver.

La, le, li, Io, lu, etc.

Quando há fogo na cidade

São Francisco dá o aviso;

O Castelo corresponde

Com três tiros do Gabizo.

Ma, me, mi, mo, mu, etc.

Os estrangeiros s'empregam

Nessa nova exploração;

Nada tendo de fortuna


Vem ganhar um dinheirão.

Na, ne, ni, no, nu, etc.

Nacionais de boca aberta

Nada tendo que comer,

Vivem como o boi de canga

Caladinho até morrer.

Pa, pe, pi, po, pu, etc.

Com a carestia dos gêneros,

Como o pobre há de viver?

Com tão pequeno salário

Como honrado pode ser?

Ra, re, ri, ro, ru, etc.

Os poderosos não querem

Co'a pobreza s'importar;

O pobre cheira a defunto

Pois só sabe importunar.

Sa, se, si, so, su, etc.

Eis o que é o país natal

Dos filhos que viu nascer;

Qualquer estrangeiro à toa

Vem aqui enriquecer.

Ta, te, ti, to, tu, etc.

Já temos por felicidade,

Melhor colonização;

Felizmente se acabou

A negra especulação.

Va, ve, vi, vo, vu, etc.

Os transportes são imensos,

Quer por terra, quer por mar;

Até se pode seguro


Já navegar pelo ar.

Xa, xe, xi, xo, xu, etc

Enfim ninguém já duvida


De tamanha perfeição;


Que não ha século como este

De maior ilustração.

Za, ze, zi, zo, zu, etc.