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12.Não há troco miúdo-vol.00-cap02-12

12. “Não há troco miúdo” (1864).

Letra: Adeodato Sócrates de Mello. Música: J. S. Arvellos (“Eu gosto da cor morena”). Intérprete: João Nabuco (piano e canto). Gravação independente.

Letra no Trovador. Partitura na BN.

Anda o povo em multidão,

Que confusão!

Lastimando o duro fado,

Sem poder comprar mais nada,

Ai! Caçoada,

Ter dinheiro desprezado.

Quer seus doces bons comer

E beber,

O deus Baco queridinho,

Há de só os adorar,

Sem tocar,

Pois não há mais trocozinho.

Quanto é triste nesta vida

Esta lida,

De confusa andar as leis

Sem saberem sustentar,

Bem mandar,

Haver troco aos pontapés.

Se lá querem aceitar,

Destrocar,

Nota grande aos moçozinhos

Bem janotas e trajados,

Afamados

Do Tesouro empregadinhos.

Estes são bem garantidos,

São servidos

De miúdos a fartar.

Só não tem os pobrezinhos,

Coitadinhos,

Quem há de a nota cambiar!

Tudo isto a quem devemos,

Nem sabemos,

Se à Justiça, se ao Poder;

Queira o povo lastimar,

Esperar,

Mundo novo aparecer.