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17. “O trem” (1997).

Autor: RZO. Intérprete: RZO. Gravadora: Porte Ilegal. LP: O trem.

Assim que é

Sem proceder não para em pé

Realidade é muito triste

Mas é no subúrbio sujismundo

Submundo que persiste o crime

Pegar o trem é arriscado

Trabalhador não tem escolha

Então enfrenta aquele trem lotado

Não se sabe quem é quem, é assim

Pode ser ladrão ou não

Tudo bem se for pra mim

Se for polícia fique esperto, Zé

Pois a lei dá cobertura pra ele

Te socar, se quiser

O cheiro é mal de ponta a ponta

Mas assim mesmo normalmente

O que predomina é a maconha

E aos milhares de todos os tipos

De manhã, na neurose

Como que pode ter um dia lindo

Portas abertas mesmo correndo

Lotado até o teto sempre está

Meu irmão vai vendo

Não dá pra aguentar, sim

É o trem que é assim, já estive, eu sei, já estive

Muita atenção, essa é a verdade

Subúrbio pra morrer, vou dizer: é mole

Subúrbio para morrer, vou dizer (é mole)

E agora se liga, você pode crer (é pra gravar, tá?)

Todo cuidado não basta porque (é só um toque)

Subúrbio para morrer, vou dizer (é mole)

Confira de perto, é bom conhecer (é pra gravar, tá?)

E agora se liga, você pode crer (é só um toque)

Todo cuidado não basta porque (é mole)

Subúrbio para morrer, vou dizer

Todos os dias mesma gente

É sempre andando, viajando

Surfando, mais à mais não teme

Vários malucos, movimento quente

Vários moleques pra vender

Vem comprar, é aqui que vende

Quem diz que é surfista, é

Então fica de pé, boto mó fé, assim que é

Se cair, vai pro saco

Me lembro de um irmão, troço chato

Subia, descia por sobre o trem, sorria

Vinha da Barra Funda há dois anos todo dia

Em cima do trem com os manos surfistas

Assim chamados são popularmente

Se levantou e encostou naquele fio,

Tomou um choque

Mas tão forte que nem sentiu, foi às nuvens

Tá com Deus, mano Biro, sabe

Subúrbio pra morrer, vou dizer é mole

Subúrbio para morrer, vou dizer (é mole) ...

E eu peço a Oxalá e então

Sempre vai nos guardar

Dai-nos forças pra lutar, sei que vai precisar

No trem, meu bom, é assim, é o que é

Então centenas vão sentados e

Milhares vão em pé

E em todas as estações

Ali preste atenção nos PFs

O trem para, o povo entra e sai

Depois disso, o trem já se vai

Mas o que é isso? Esquisito

E várias vezes assisti

Trabalhador na porta tomando borrachadas

Marmitas amassadas, fardas, isso é lei?

Vejam vocês: são cães, só querem humilhar toda vez

Aconteceu o ano passado em Perus

Um maluco estava na paz, sem dever

Caminhava na linha sim, a uns cem metros

Dessa estação, preste atenção, repressão

Segundo testemunhas dali, ouvi

Foi na cara dura assassinado, pum, mas não foi divulgado

E ninguém está, não está, ninguém viu

As mortes na Estrada de Ferro Santos-Jundiaí

E ninguém tá nem aí, Osasco ou Itapevi,

Do Brás a Mogi ou Tamanduateí

É o trem que é assim, já estive, eu sei, já estive

Subúrbio pra morrer, vou dizer é mole

Subúrbio para morrer, vou dizer ...

Quando começo a pensar parece que vem o barulho na cabeça

Eu lembro dos manos que ficaram grudados nos fio

Que até hoje a indenização da ferroviária a família nunca viu

Ou senão dos mano que tem uma correria pra fazer

Precisa levar uma lata de leite todo dia de manhã

Cataram tudo sua mercadoria

E ainda se espanta? Mais no saldo desses filhos da puta dos PF

Aí mano, valeu?

Mas e aí! Ninguém tem peito de aço, não, mano