24.Canção nordestina-v3-cap-10-m24

24. “Canção nordestina” (1996).

Autor: Fauzi Beydoun. Intérprete: Tribo de Jah. Gravadora: Indie Records. CD: Ruínas da Babilônia.

Eh, todo o povo nordestino

Esse povo esquecido

Inda é tempo de lembrar

Toda essa gente brasileira

Essa gente hospitaleira

Que vive nesse lugar

Da Chapada do Araripe, do belo Cariri

Às margens do Parnaíba, Picos e Piri-Piri

Do Raso da Catarina, Arapiraca, Itabaiana

Subindo o São Francisco nas terras pernambucanas

Caruaru, Serra Talhada, Juazeiro, Petrolina

Garanhuns, Campina Grande, Mossoró, Araripina

Toda a gente de valor oprimida no sertão

Povo bom, trabalhador, mas não parecem cidadãos

São anos de abandono e submissão

Descaso dos governantes, completa omissão

Tanta terra desprezada e a miséria acelerada

Corroendo o coração

A corrupção e a ganância

A incompetência, a inoperância

Praga que não se acaba e consomem a cada um

Tanto dinheiro desviado em projetos inviáveis

De interesse só de alguns

É preciso dar mais atenção à causa do nordestino

Que segue seu destino à margem da nação

À causa do nordestino

Que segue seu destino sempre à margem da nação

E por falar em projetos, se o sertão fosse irrigado

Seria o novo eldorado, o celeiro da Federação

O nordestino não saía emigrado, retirante humilhado

Pelo resto do país, sem destinação

Agora veja: Transamazônica, Ferrovia do Aço

Usina nuclear, bilhões desperdiçados

Só ideia infeliz!

O governo só não fez por que não quis

Até os incas irrigaram boa parte do seu império

Quando o Brasil nem tinha sido descoberto

E não havia carro, trem nem caminhão

Até parece que querem manter o nordestino na miséria

Pra facilitar ainda mais a exploração

Grande foi o Capitão Virgulino Lampião

Verdadeiro rei, cangaceiro do sertão

Caiu no cangaço cedo, lutou contra os desmazelos

Do clientelismo, assassino e opressor

E foi líder guerrilheiro

Robin Hood brasileiro

Homem de palavra, cabra bom e brigador

Tocava o fole e dançava como ninguém

Inda era compositor e cantava muito bem

Mulé rendeira, de sua autoria

Emplacou pelo sertão quando nem rádio existia

Cantava o bom, cantou quem era mau

Essa é que foi um sucesso nacional

Olê, mulé rendeira

Olê, mulé rendá

Tu me ensina a fazê renda

Que eu te ensino a namorá