25.Calabouço-v2-cap07-m25

25. “Calabouço” (1968).

Autor: Sérgio Ricardo. Intérprete: Sérgio Ricardo. Gravadora: Continental. LP: Piri, Fred, Cássio, Franklin e Paulinho de Camafeu com Sérgio Ricardo (1973).

Olho aberto, ouvido atento E a cabeça no lugar Cala a boca moço, cala a boca moço Do canto da boca escorre Metade do meu cantar Cala a boca moço, cala a boca moço Eis o lixo do meu canto Que é permitido escutar Cala a boca moço. Fala!

Olha o vazio nas almas Olha um violeiro de alma vazia

Cerradas portas do mundo Cala a boca moço E decepada a canção Cala a boca moço Metade com sete chaves Cala a boca moço Nas grades do meu porão Cala a boca moço A outra se gangrenando Cala a boca moço Na chaga do meu refrão

Cala a boca moço Cala o peito, cala o beiço Calabouço, calabouço

Olha o vazio nas almas ...

Mulata mula mulambo Milícia morte e mourão Cala a boca moço, cala a boca moço Onde amarro a meia espera Cercada de assombração Cala a boca moço, cala a boca moço Seu meio corpo apoiado Na muleta da canção Cala a boca moço. Fala!

Olha o vazio nas almas ...

Meia dor, meia alegria

Cala a boca moço Nem rosa nem flor, botão Cala a boca moço  Meio pavor, meia euforia Cala a boca moço Meia cama, meio caixão Cala a boca moço Da cana caiana eu canto Cala a boca moço Só o bagaço da canção Cala a boca moço Cala o peito, cala o beiço Calabouço, calabouço

Olha o vazio nas almas ...

As paredes de um inseto Me vestem como a um cabide Cala a boca moço, cala a boca moço E na lama de seu corpo Vou por onde ele decide Cala a boca moço, cala a boca moço Metade se esverdeando No limbo do meu revide Cala o boca moço. Fala!

Olha o vazio nas almas ...

Quem canta traz um motivo

Cala a boca moço Que se explica no cantar Cala a boca moço Meu canto é filho de Aquiles Cala a boca moço Também tem seu calcanhar Cala a boca moço Por isso o verso é a bílis Cala a boca moço Do que eu queria explicar Cala a boca moço Cala o peito, cala o beiço Calabouço, calabouço

Olha o vazio nas almas ...