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32. “Homens fardados” (1997).

Autores: Zé Brown, Tiger, Garnizé, Oni e Massacre. Intérprete: Faces do Subúrbio. Gravadora Independente. CD: Faces do Subúrbio.

De novo a justiça é feita, 5 homens armados com fuzil e escopeta

Cercam o negro na calada da noite, que o mataram assim que acabou o açoite

Esse é o sistema usado mesmo sendo errado, não importa se você é inocente ou culpado

Militares ou civis não importa quem são, são homens de sangue frio sem perdão

Morros e favelas é sua diversão, pois é lá que eles pregam sua lei do cão

Acham que a morte é o seu ideal, ideal esses que os tornaram marginais

E quem era do bem agora é do mal por culpa de um sistema cruel e infernal

Digo isso porque sei que não é mentira porque mesmo sem querer eu sou mais uma mira

De uma arma que está em mão não confiável, por que se eu vacilar serei mais um miserável

Que morreu sem saber nem como nem porque, pois assim a lei é feita e assim vai proceder

Nada podemos fazer pra se tomar providência, o único jeito é fazer parte dessa violência

E sem saber qual será a consequência (não confio na polícia, raça do caralho)

Polícia, unidade feita para proteger, não confio nela e nem pretendo ser mais um

Que faz justiça com uma arma na mão, com uma farda no corpo e outro corpo no chão

Faço minha segurança pra me proteger não é pra matar ninguém assim como faz você

Homens fardados, encapuzados, procurando mais um corpo para ser fuzilado

Homens fardados, eu não sei não, se julgam os tais, os donos da razão

Homens fardados, eu não sei não, insistem em fazer justiça com as suas próprias mãos

Homens fardados, eu não sei não, se julgam os tais, os donos da razão

Homens fardados, eu não sei não, insistem em fazer justiça com as suas próprias mãos

Se julgam os tais os donos da razão, pois acabar com vidas é seu lema então

Seu principal alvo é um marginal sem dinheiro mas o traficante rico ele protege o tempo inteiro

E a discriminação eles levam onde for, seu prato preferido é um cidadão de cor

Ser negro pra polícia é ser um marginal, ignoram os negros, seu valor cultural

Pois as leis eles não cumprem direito, seu trabalho é nojento e não tem jeito

Onde eles chegam chamam sempre atenção, assustam em vez de proteger a população

Se eles te pegam por aí dando vacilo, te matam pois esse é o seu castigo

Agora amigo, preste muita atenção, lute pelo seus direitos, direitos de cidadão

Que funciona no papel mas na pratica não

Mas mesmo assim não baixe a cabeça, lute para que você nunca desapareça

Nas mãos desses covardes bandidos que tiram vidas de pobres e oprimidos

Por isso eu não me calo, eu sempre falo, pois o rap é minha arma, o meu calibre pesado

Te passo toda e qualquer informação, pois eu uso e abuso da minha liberdade de expressão

E eu não canto para agradar safado, se você não gostou que vá tomar no rabo

Pois esse é o recado, recado cantado, pra vocês aí, homens fardados

Homens fardados eu não sei não, se julgam os tais os donos da razão ...