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32. “Deusdéti” (1985).

Autor: Carlos Melo. Intérprete: Língua de trapo. Gravadora: RGE. LP: Como é bom ser punk.

(Acho que foi num dia de São João Batista que conheci Deusdéti Nesse tempo eu já era marquexista e ela ainda ia em discotéque Tentei de tudo, até lavagem cerebrár, meu saco tá que não guenta Mas nem o Pinochet é tão radicar. Êta, muiézinha lazarenta! Iguar Deusdéti, juro por Deus, não existe A marvada só lê Capricho e livro da Agatha Cristie Além do mais é metida a grã-fina, adora homem com fedor de gasolina

Que sina, que sina, Em veis de ela estudá os pobrema da guerrilha urbana Só quer saber de escutar música americana estrambólica Também, a mãe é da Liga das Senhoras Católicas E o bode véio do pai é da Opus Dei Não sei, não sei Como é que eu vou sair dessa enrascada Só se eu pegar o pai e mãe da danada e fazer papér de fachistão: Vendar os óios e carcá fogo num paredão Só que eu tô ficando cheio de fole, virando um caboclo de coração mole No lugar de apoiar a luta armada, fico fazendo verso pra namorada Mas pra encurtar o causo, que nóis aqui temo prazo

Pra terminar, vamo cantar.)

Se o nosso amor for logo, logo pras cucuia A curpa é tua, Deusdéti Enquanto eu falo o tempo todo em Che Guevara Ocê frequenta o Ta Matete

Se o meu partido desconfiar qu’eu te namoro, virge, porca miséria Vamo passar toda nossa lua-de-mel quebrando gelo na Sibéria Não pude, não pude Não pude ir jantar com você no Maquesude Ocê só pensa em champanhe, caviar e noutros produtos chiques Esquece sempre que o seu futuro noivo é do Partido Bolchevique Tem certos dias que me dá um nó na garganta Daqueles bem morfético Porque você rejeita o materialismo dialético Não pude, não pude Não pude ir jantar com você no Maquesude