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36. “Impunidade” (2000).

Autor: Fauzi Beydoun. Intérprete: Tribo de Jah. Gravadora: Indie Records. CD: Além do véu de Maya.

A justiça só é cega

Quando não quer ver

Quando a lei se nega

A se fazer valer

Para uns, implacável

Para outros, maleável

Ou até negociável

Ter leis em questão

É o mesmo que não

Leis sem efeito que abrem exceção

Abrem precedentes à dúbia aplicação

Nunca propiciarão

Um estado de direito

Assim nunca se terá verdadeira nação

A impunidade

É um grave problema

É a face mais falha da sociedade

É o lado mais sujo do sistema

Como é que se sente

Um simples cidadão

Brasileiro descontente

Com a situação

Eu amo o meu país

E amo a minha gente

Mas me sinto infeliz

Eu acho deprimente

Esse estado de impunidade

E improbidade, uma vergonha nacional

Estado de injustiça, imundície e calamidade social

Eu digo não, como cidadão

Eu peço justiça, peço punição

Punição exemplar, justiça enfim

Eu digo: Não, não, não

Justiça sim, impunidade não (2x)

Punição exemplar a todos os culpados

Sem nenhuma exceção

Aos poderosos, abastados

Ou até mesmo ao mais nobre barão

Famigerados doutores, ricos ou bacanas

Sendo culpados, estejam todos em cana

Parlamentares pilantras, políticos interesseiros

Deputados descarados, banqueiros trapaceiros

Vereadores, prefeitos, governadores e empreiteiros

Corruptos, corruptores e seus fiéis escudeiros

Magistrados safados, empresários salafrários

Traidores da pátria, fazendo o povo de otário

Punição exemplar aos bandidos escondidos na imunidade parlamentar

Fazendo falcatruas, às escuras fazendo fortuna

Com o seu voto que colhem na urna

E saem às ruas como se nada houvesse

Ninguém lhes importuna

Mesmo quando enriquecem

Às custas de favores escusos do clientelismo

Do uso e abuso do fisiologismo

E das benesses do cobiçado poder

Eu digo não, não pode ser

Quanto descaso, quanta omissão

Quem pode se safa

O pobre é quem paga

Eu peço punição, punição exemplar

Eu digo: Não, não, não ...

A legião dos excluídos vai muito mal

Banidos que estão do convívio social

Debaixo de barracos, pontes e sinais

Não desejam mais que uma vida meramente normal

Na televisão, em todos os canais

Aparentemente tudo tudo vai bem demais

Logo vem outro carnaval

E fica tudo bem tudo bem no país do futebol

Se rouba, se extorque, se frauda, se mata

Se burla, corrompe, sonega e se escapa

Sem punição, nessa terra sem lei

Quem tem muita grana nunca vai em cana

Bandido rico é rei, até quando eu não sei

Eu quero ver quando é que vai se fazer

Uma verdadeira nação

Com direitos e deveres iguais para todo e qualquer cidadão

Eu quero ver punição enfim

Eu digo: não, não, não ...