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36. “Hoje” (1969).

Autor: Taiguara. Intérprete: Idem. Gravadora: Odeon. LP: Hoje.

Hoje,

Trago em meu corpo as marcas do meu tempo


Meu desespero, a vida num momento


A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo

Hoje,

Trago no olhar imagens distorcidas


Cores, viagens, mãos desconhecidas


Trazem a lua, a rua às minhas mãos

Mas hoje,


As minhas mãos enfraquecidas e vazias


Procuram nuas pelas luas, pelas ruas,

Na solidão das noites frias por você.

Hoje,

Homens sem medo aportam no futuro


Eu tenho medo, acordo e te procuro


Meu quarto escuro é inerte como a morte

Hoje,

Homens de aço esperam da ciência


Eu desespero e abraço a tua ausência


Que é o que me resta vivo em minha sorte

Ah, sorte


Eu não queria a juventude assim perdida


Eu não queria andar morrendo pela vida


Eu não queria amar assim como eu te amei.