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36.Hoje-v2-cap07-m36

Hoje,

Trago em meu corpo as marcas do meu tempo

Meu desespero, a vida num momento

A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo

Hoje,

Trago no olhar imagens distorcidas

Cores, viagens, mãos desconhecidas

Trazem a lua, a rua às minhas mãos

Mas hoje,

As minhas mãos enfraquecidas e vazias

Procuram nuas pelas luas, pelas ruas,

Na solidão das noites frias por você.

Hoje,

Homens sem medo aportam no futuro

Eu tenho medo, acordo e te procuro

Meu quarto escuro é inerte como a morte

Hoje,

Homens de aço esperam da ciência

Eu desespero e abraço a tua ausência

Que é o que me resta vivo em minha sorte

Ah, sorte

Eu não queria a juventude assim perdida

Eu não queria andar morrendo pela vida

Eu não queria amar assim como eu te amei.




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