57.Soldado do morro-v3-cap-10-m57

57. “Soldado do morro” (1999).

Autor: MV Bill. Intérprete: idem. Gravadora: Natasha Records. CD: Traficando informação.

Minha condição é sinistra, não posso dar rolé Não posso ficar de bobeira na pista Na vida que eu levo eu não posso brincar Eu carrego uma nove e uma HK Pra minha segurança e tranquilidade do morro Se pá, se pam, eu sou mais um soldado morto Vinte e quatro horas de tensão Ligado na polícia, bolado com os alemão Disposição cem por cento até o osso Tem mais um pente lotado no meu bolso Qualquer roupa agora eu posso comprar Tem um monte de cachorra querendo me dar De olho grande no dinheiro, esquecem do perigo A moda por aqui é ser mulher de bandido Sem sucesso, mantenho o olho aberto Quebraram mais um otário querendo ser esperto Essa porra me persegue até o fim Nesse momento minha coroa tá orando por mim É assim, demorou, já é Roubaram minha alma mas não levaram minha fé Não consigo me olhar no espelho Sou combatente coração vermelho Minha mina de fé tá em casa com o meu menor Agora posso dar do bom e melhor Varias vezes me senti menos homem Desempregado, meu moleque com fome É muito fácil vir aqui me criticar A sociedade me criou, agora manda me matar Me condenar e morrer na prisão Virar notícia de televisão Seria diferente se eu fosse mauricinho Criado à Sustagen e leite Ninho Colégio particular, depois faculdade Não, não é essa minha realidade Sou caboquinho comum com sangue no olho Com ódio na veia, soldado do morro

Feio e esperto, com uma cara de mau A sociedade me criou, mais um marginal Eu tenho uma nove e uma HK Com ódio na veia, pronto para atirar

Um pelo poder, dois pela grana Tem muito cara que entrou pela fama Plantou na boca tendo outra opção Não durou quase nada, amanheceu no valão Porque o papo não faz curva, aqui o papo é reto Ouvi isso de um bandido mais velho Plantado aqui eu não tenho irmão Só o cospe chumbo que tá na minha mão Como pássaro que defende seu ninho Arrebento o primeiro que cruzar meu caminho Fora da lei, chamado de elemento Agora o crime que dá o meu sustento Já pedi esmola, já me humilhei Fui pisoteado, só eu sei o que eu passei Eu tô ligado, não vai justificar Meu tempo é pequeno, não sei o quanto vai durar É pior do que pedir favor Arruma um emprego, tenho um filho pequeno, seu doutor Fila grande, eu e mais trezentos Depois de muito tempo, sem vaga no momento A mesma história todo dia é foda É isso tudo que gera revolta Me deixou desnorteado, mais um maluco armado Tô ligado, bolado, quem é o culpado? O que fabrica a guerra e nunca morre por ela Distribui a droga que destrói a favela Fazendo dinheiro com a nossa realidade Me deixaram entre o crime e a necessidade

Feio e esperto com uma cara de mau ...

A violência da favela começou a descer pro asfalto Homicídio, sequestro, assalto Quem deveria dar a proteção Invade a favela de fuzil na mão Eu sei que o mundo que eu vivo é errado Mas quando eu precisei ninguém tava do meu lado Errado por errado, quem nunca errou? Aquele que pede voto também já matou Me colocou no lado podre da sociedade Com muita droga, muita arma, muita maldade Vida do crime é suicídio lento Bangu 1, 2, 3, meus amigos lá dentro Eu tô ligado qual é, sei qual é o final Um saldo negativo, menos um marginal Pra sociedade contar um a menos na lista E engordar a triste estatística De jovens como eu que desconhecem o medo Seduzidos pelo crime desde muito cedo Mesmo sabendo que não há futuro Eu não queria tá nesse bagulho Já tô no prejuízo, um tiro na barriga Na próxima batida quem sabe levam minha vida E vou deixar o meu moleque sozinho Com tendência a trilhar meu caminho Se eu cair, só minha mãe vai chorar Na fila tem um monte querendo entrar no meu lugar Não sei se é pior virar bandido Ou se matar por um salário mínimo Eu no crime ironia do destino Minha mãe tá preocupada, seu filho está perdido Enquanto não chegar a hora da partida A gente se cruza nas favelas da vida

Feio e esperto com uma cara de mau ...