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83. “Sei que os porcos querem meu caixão” (2001)

Autor: Facção Central. Intérprete: Facção Central. Gravadora: Discoll Box. CD: A marcha fúnebre prossegue.

O boy queria que eu tivesse traficando Gritando assalto com uma nove pro caixa do banco Queimando a cara de um refém com cigarro Dá a senha filho da puta, anda desgraçado O Brasil não aceita pobre revolucionário O marginalizado defensor do favelado Fugi do controle, quebrei a algema Expandi meu veneno, meu ódio, minha crença Contaminei o povo, revolta incurável Terrorista verbal, discurso implacável Pega seu dinheiro e enfia no cu E caráter lapidado no sangue da zona sul Implantaram a liberdade de expressão assistida Pra rima agressiva do rapper homicida Desprendido de mídia, público do shopping Cuspo na sua TV, na sua porra de ibope Ativista, aqui estou o próximo da lista Foda-se a censura, represália da polícia Se tiver que morrer, aí fazer o que? Ameaça não intimida, Eduardo não faz tremer Fala mal de mim, rimador da alegria Pelo menos não sou puta, não vendi minha ideologia Não traí a minha história, minha raiz no cortiço Prossigo na missão, pra muitos sou nocivo Invadi a mansão igual um rolo compressor O playboy se borrou com a verdade no televisor Denunciei sem medo a guerra civil brasileira, Obrigado, favela, pelo FC na camiseta Oficial de justiça não apreendeu meu cérebro Dentro e fora da cadeia, locutor do inferno Sou periferia em cada célula do corpo Por isso uma pá de porco tá me querendo morto

Sei que os porcos querem meu caixão ‘Era a brecha que o sistema queria’ Sei que os porcos querem meu caixão ‘Avisa o IML chegou o grande dia’

O preto favelado aterrorizou Chocou, apavorou, escandalizou O verso sanguinário conseguiu abalar Vem pagar um pau, mídia, vem me entrevistar Vou enfiar no teu rabo meu estereótipo de ladrão Um careca de jaqueta aqui é rapper Facção Não vai te dar notícia com o sangue da vaca rica Filma o maloqueiro pedindo paz na periferia Surgiu uma pá de herói querendo meu sangue, minha caveira Querendo flash na minha aba se tornar estrela Cuzão não entendeu, rap não é campeonato Pra vender CD não precisa do meu fracasso Faço meu papel, honro meu compromisso Semeio o ódio contra quem me faz roubar o executivo Aqui é só outro mano sem boné, sem estudo Sem currículo, curso, talvez sem futuro Entendeu, dono do iate, o apoio da favela Faço parte dela, sou fruto da cela Não deram faculdade pra eu me formar doutor Então a rua me transformou no demônio rimador Enquanto o meu corpo não virar carniça Eu tô no rádio, no vídeo, lançando minha ofensiva Nem Cherokee, nem piscina, nem modelo vadia Compram a atitude do mano do quarto e cozinha A traça verbal é um dois pra acionar É só o menino faminto chorar pro dum dum descarregar Programado pra rimar, buscar a igualdade Pra ser a ameaça pra sociedade Oficial de justiça não apreendeu meu cérebro Dentro e fora da cadeia locutor do inferno Sou periferia em cada célula do corpo Por isso uma pá de porco tá me querendo morto

Sei que os porcos querem meu caixão ‘Era a brecha que o sistema queria’ Sei que os porcos querem meu caixão, ‘Avisa o IML chegou o grande dia’

A boca só se cala quando o tiro acerta ‘Se é isso que eles querem, então vem, me mata’

‘E pros filhos da puta que querem jogar minha cabeça pros porco, aí tenta a sorte mano’