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84. “Discurso ou revólver” (2001).

Autor: Gilson da Silva. Intérprete: Facção Central. Gravadora: Discoll Box. CD: “A marcha fúnebre prossegue”.

A igualdade social é só em conto de fadas

Felicidade é só em sonho, só em mágica

Acredito na palavra ou na metralhadora?

Revolução verbal ou aterrorizadora?

Vamos queimar a Constituição com coquetel molotov

Carro bomba no Congresso, tique-taque explode

Ou suplicar pro gambé derrubando sua porta

Não bater na sua mulher, não atirar nas suas costas

Até quando comer resto, lavar banheiro

Abrir o boy no meio na ilusão de um dinheiro

Ser exterminado como judeus em Auschwitz

Mostrar pra Globo o que é viver no limite

A cruz da Klan tá queimando na sua frente

A SS agora veste o cinza da PM

De braço cruzado é só miolo espalhado no chão

Discurso ou revólver, tá na hora da Revolução!

Tá na hora de parar de mofar no presídio

Evitar o necrotério com uma pá de tiros

De ser um analfabeto comendo resto

Um viciado que o Denarc manda pro inferno

Fizeram da sua rua filial do Vietnã,

Deram rifles pras crianças, estupraram sua irmã

Exilaram na favela o cidadão na teoria

Oprimido e censurado no país da democracia

Te dão crack, fuzil, cachaça no boteco

Esse é o campo de concentração moderno

Hitler, FHC, Capitão do Mato

Bacharéis em carnificina, mestrado em holocausto

Chega de bater palma tomando tiro, facada

De prato vazio, vendo o boy suar na sauna

O sistema te quer no viaduto com água na boca

Com a garrafa cortada na mão esperando a kombi trazer sopa

Ou no chiqueiro do navio negreiro com seta na porta

Morto pelo senhor do engenho com farda e pistola

Que só em cabeça de pobre descarrega sua munição

Discurso ou revólver tá na hora da Revolução!

Tá na hora de parar de mofar no presídio ...

Prevejo o mercado saqueado bala de borracha

Escudo do choque tomando pedrada

Guerra civil em praça pública socorro

O professor com sangue no rosto, mordida de cachorro

Sem teto, sem terra, sem perspectiva

Sem estudo, sem emprego e sem comida

O pavio da dinamite tá aceso

Qual será o preço pra eu ter os meus direitos?

Sequestrar, atirar, queimar pneu na avenida

Invadir a fazenda improdutiva

Só jogamos ovo por isso nada mudou

Quem sabe o presidente na mira do atirador

Em São Paulo, 35 por dia, chega!

Tolerância zero, vou cavar trincheira

O serial killer do Planalto continua em ação

Discurso ou revólver tá na hora da Revolução!

Tá na hora de parar de mofar no presídio ...

A favor do inimigo repressão, desinformação

O domínio dos dois caminhos pra revolução

Caminho um: a voz do povo aqui não é a voz de Deus

Se tua casa é de caixote de feira, problema seu

Tanto faz sua filha no motel ganhando um trocado

Tanto faz seu filho com a 12, matando vigia no assalto

Se vier pro asfalto fazer passeata

Aí o PM te mata, te faz engolir bandeira e faixa

Caminho dois: Desconhecendo o cenário político

Onde jogar granada? Quem é nosso inimigo?

Entendeu por que não tem escola pra você

Toma a Uzi e me diz quem tem que morrer

Não adianta ser milhões se não somos um

Ação coletiva, objetivo comum

Discurso ou revólver não interessa a opção,

Sem união é impossível a Revolução!

Tá na hora de parar de mofar no presídio ...

Pro Inferno!