89.Lokomotiva da figa-v3-cap-10-m89

89. “Lokomotiva da figa” (sem data)

Autor: Clã Nordestino. Intérprete: Idem. Gravadora: Face da Morte Produções. CD: A peste negra do Nordeste (2003).

Che Guevara? Presente!

Emiliano Zapata? Presente!

Rosa Luxemburgo? Presente!

Rei Zumbi de Palmares? Presente!

Malcom X? Presente!

Steve Biko? Presente!

Rosa e José Luís Sunderman? Presente!

Façamos a chamada dos guerreiros camaradas

Dos que sobreviveram ou tombaram na jornada

De todos aqueles que se ergueram em armas

De todos aqueles que mantiveram a calma

De todos aqueles que foram torturados

A todos o respeito de todas as quebradas

A peste negra se alimenta das mentes revolucionárias

Das almas de Eldorado, de inocentes, Candelária

111 já se foram e a eles minhas flores

Sentimentos de pesares que mastigam minhas dores

Ainda resistimos, nos mantivemos de pé

Nem por um segundo reduziram nossa fé

Em cada mãe que vê seu filho no crime

Em cada aliado que reforça o nosso time

No poder invencível da força da mulher

No pelotão dos zapatistas que não dá marcha ré

Na menina palestina que combate os tanques

Ou no PM preto que fez sangue no seu sangue

Os ianques vão sorrir até a derradeira hora

Também quero voar e morrer na glória

A Peste Negra do Nordeste continua sua marcha

Os inimigos que caíram são mais que nossas baixas

Você que é portador desse vírus libertário

Pode rimar agora, se prepare pro embarque

Somos lokomunistas na lokomotiva da figa, ê

Clã Nordestino

Somos lokomunistas na lokomotiva da figa, ê

Clã Nordestino

Somos lokomunistas na lokomotiva da figa, ê

Clã Nordestino

Eu sei que eu sou mais eu, se você for mais você

Só depende de nós a tomada do poder

Nas mansões eu quero ouvir os gritos de pânico

Expropriando, retomando a riqueza dos bancos

Chama os punks pra falar sobre o mundo diferente

Onde cada um de nós seja tratado como gente

Resgatar a humanidade das garras da covardia

Um só planeta, uma só família

Vamos versar a controvérsia de um outro mundo possível

Que prevaleça a amizade e o sorriso, e não o míssil

Vamos lembrar de Chico Mendes, que é um pouco de Zapata

Vamos reverenciar os dreads dos rastas

Já basta, já basta, contra as formas de opressão

A fita é cantada na minha canção

Fazer a minha parte, arte pela arte

Nunca não, nunca não

Engajado desde o berço, não esqueço de onde vim

Minha rima não tem preço

Tem começo, meio e fim

No tropeço do inimigo eu escondo o meu sorriso

Revolucionário roteiro dos meus versos de improviso

Minha família, meus amigos, pro burguês, eu sei, sou lixo

Mas são minhas amizades que enriquecem o meu espírito

Meu rito, minha estrada, meu grito, minha morada

Tomei banho nos rios, a Amazônia é a minha casa

Sagrada peste sobrevoa no labirinto

Dos meus versos contra a ALCA

Os States e os ladrões de terno

Eterno é o batuque no terreiro da minha vida

E depois que eu tombar pode chamar a minha filha

A Peste Negra do Nordeste continua sua marcha ...

Sou um mais um, sou um da peste

Conhecedor rimador de norte a sul, de leste a oeste

Da minha boca saem rimas afiadas como espadas

Tal qual pranto e lamento da criança esfomeada

Se vem o sol, há seca

Se vem a fome, aceita

Se vem a chuva, há lama

Se vem a rima, inflama

Quer me ver, vem me ver na TV, fica ligado

A palavra de ordem que baila nos meus lábios

A tropa de choque pronta pro confronto

A burguesia, vadia, perdida, em escombros

Aos mesmos de sempre hoje somamos

Pretos e brancos, mulheres, homens, humanos

Hermanas, hermanos, de tão pretos vermelhos

A foice e o martelo reflexo no espelho

Caros amigos, o abrigo da dignidade

A resistência por escrito na reportagem

Ocupar, resistir, produzir a verdade

Recuem, ------------, black block

Coragem, IV Internacional

Na América Latina é a ultima trombeta

Pro animal capitalista

E nessas horas eu não oro, eu juro

Que o revide dessa treta ainda gera um outro lucro

Nos quartéis a minha ficha vai de mão em mão

Minha foto, o meu nome, a minha missão

Preto Ghoez, soldado raso da revolução

A peste é o espectro que ronda a mansão

Só o fim da mais valia alivia a tensão

Versando a amizade, poesia e resistência