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91. “Antigamente quilombos, hoje periferia” (2002).

Autor: Z’África Brasil. Intérprete: Idem. Gravadora: RSF Records. CD: “Antigamente quilombos, hoje periferia”.

Aqui sentindo flores prometeram um mundo novo

Favela, viela, morro tem de tudo um pouco

Tentam alterar o DNA da maioria, Rei Zumbi

Antigamente quilombos, hoje periferia

Levante as caravelas

Aqui não daremos trégua não, não

Então que venha a guerra

Zulu, Z'África, Zumbi

Aqui não daremos tréguas não, não

Então que venha a guerra

Sempre a mil, aqui Z'África Brasil

Pra quem fingiu que não viu a cultura resistiu

Num faroeste de caboclos revolucionários

É o Z, Zumbi que Zumbizine Zumbado do Zumbizado

A lei da rua quem faz é você no proceder

Querer é poder, atitude é viver

Hoje centuplicarei o meu valor

Eliminando a dor que afeta o meu interior

Querem nos destruir, mas não vão conseguir

Se aumentam a dosagem mais iremos resistir

Evoluir, não se iludir com o inimigo

Que transforma cidadão em bandido, perito em latrocínio

Os hereditários sempre tiveram seus planos

Ao lado de uma pá de dólar furado e falso e se encantam

É cadeira de balanço ou é cadeira elétrica

Gatilhos, tiros na favela e o sangue escorre na viela

Um dia sonhei que um campinho da quebrada era uma fábrica da Taurus

Ainda bem que era um sonho e aí fiquei um pouco aliviado

Mas algo em meu pensamento dizia pra mim

Porra, se na periferia ninguém fabrica arma

Quem abastece isso aqui?

O sistema não está do lado da maioria

Já estive por aqui sei lá quantas vidas e continua a covardia

Esquenta não, somos madeira que cupim não rói

A gente supera todas as drogas e as armas que estão aqui

Devolveremos em guerra

Aqui sentindo flores prometeram um mundo novo ...

Mundo abominado, desorientado, não seja um mini-game manipulado

Ignore a ação do sistema, mas por outro lado

Faça sua taboca, levante sua paliçada

Prepare-se, não acredite em contos de fadas

A fumaça é o veneno que destrói as flores

A visão do mundo em diversos fatores, subjugado a valores

Consomem a essência, em troca a sobrevivência

Assim espalham a doença, a fé, a crença

E o povo lamenta tantos destroços, tanta perda

Fio de 500 volts em muitas consciências, vejam

Úlcera de ozônio, pânico da atmosfera

As coisas não estão nada bela, SOS Planeta Terra

Acredite, há milhões de anos o poder impera

O oprimido resiste e o opressor insiste na guerra

Refúgio, ver nuvem negra brilhar, sistema o alvo certeiro

O mal aplicado diante de princípios morais

Lamentos, levantamentos, históricos monumentos

Carne e osso, meu corpo não é blindado, só peito

Biografia, Plano Real, agora nos encontramos mal

Excelentíssimo senhor presidente do território nacional

Do sistema escudo, guerrilheiros do mundo, duque 13 blefou

Zumbi, o redentor, agora o jogo virou

Quilombos guerreou, periferia acordou

Cansamos de promessas, volta pro mato, capitão

Pois já estamos em guerra

Aqui sentindo flores prometeram um mundo novo ...

Medito a ação, hino da redenção

Os deuses encorajaram as almas

Os fortes já não se prendem à ilusão, hé

Na sombra do otário é que se esconde o mané, né

Na hora que o bicho pega que a gente vê qual é que é

Evite atrazalado, tem pangaré que não vale um prato

Aqui é lobo do mato, tem xerife assustado com o cavaleiro solitário

Abre-te sésamo, mim não gosta de cara pálida

Acham que sabem tudo, mas na verdade não sabem nada

Controlam as doenças, controlam dinheiro

Controlam os cartéis, controlam os puteiros

Modificam o ar, criam cérebros atômicos

É o pai de família no bar, enquanto o filho está matando

Sugam da terra, injetam no próprio homem

Alteram a natureza, óleo no mar, fogo no monge

Jardins do éden, as flores tem cheiro de morte

Olhe o seu próprio coquetel molotov

Aqui sentindo flores prometeram um mundo novo ...