92.Negro Drama-v3-cap-10-m92

92. “Negro Drama” (2002)

Autores: Mano Brown e Edi Rock. Intérprete: Racionais MC. Gravadora: Zâmbia. CD: Nada como um dia após o outro dia.

Negro Drama

Entre o sucesso e a lama

Dinheiro, problemas

Inveja, luxo, fama

Negro drama

Cabelo crespo

E a pele escura

A ferida, a chaga

A procura da cura

Negro drama

Tenta ver

E não vê nada

A não ser uma estrela

Longe meio ofuscada

Sente o drama

O preço, a cobrança

No amor, no ódio

A insana vingança

Negro drama

Eu sei quem trama

E quem tá comigo

O trauma que eu carrego

Pra não ser mais um preto fudido

O drama

Da cadeia e favela

Túmulo, sangue

Sirenes, choros e velas

Passageiro do Brasil

São Paulo

Agonia que sobrevivem

Em meio a zorra e covardias

Periferias, vielas e cortiços

Você deve tá pensando

O que você tem a ver com isso?

Desde o início

Por ouro e prata

Olha quem morre

Então veja você quem mata

Recebe o mérito a farda

Que pratica o mal

Me ver, pobre, preso ou morto

Já é cultural

Histórias, registros

Escritos

Não é conto

Nem fábula

Lenda ou mito

Não foi sempre dito

Que preto não tem vez

Então olha o castelo, irmão

Foi você quem fez, cuzão

Eu sou irmão

Dos meus truta de batalha,

Eu era a carne

Agora sou a própria navalha

Tim...Tim..

Um brinde pra mim

Sou exemplo de vitórias

Trajetos e glórias

O dinheiro tira um homem da miséria

Mas não pode arrancar

De dentro dele a favela

São poucos

Que entram em campo pra vencer

A alma guarda

O que a mente tem que esquecer

Olho pra traz

Vejo a estrada que eu trilhei

Mocó

Quem teve lado a lado

E quem só ficou na bosta

Entre as frases

Fases e varias etapas

Do quem é quem

Dos mano e das mina fraca

Negro drama de estilo

Pra ser e se for

Tem que ser

Se tremer é milho

Entre o gatilho e a tempestade

Sempre a provar

Que sou homem e não um covarde

Que Deus me guarde

Pois eu sei

Que ele não é neutro

Vigia os rico

Mais ama os que vem do gueto

Eu visto preto

Por dentro e por fora

Guerreiro

Poeta entre o tempo e a memória ora

Nessa história

Vejo o dólar

E vários quilates

Falo pro mano

Que não morra e também não mate

O tic tac

Não espera, veja o ponteiro

Essa estrada é venenosa

E cheia de morteiro

Pesadelo sim

É um elogio

Pra quem vive na guerra

A paz nunca existiu

No clima quente

A minha gente sua frio

Vi um pretinho

Seu caderno era um fuzil

Um fuzil

Negro drama

Crime, futebol, música, caralho