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Acervo/blog

Vou renovar

Sou um cantador da classe média

E trago por satisfação

Cantar para o ser humano

Que me ouve com atenção

Do que eu vejo todo dia

Faço verso e melodia

Pra poder ganhar meu pão

Vou renovar

Canto para a classe A

Canto para a classe B

Cantoria popular

Que não é nem A nem B

Cuja fonte está no povo

Onde eu vou buscar o novo

E aprender meu B-A-BÁ

Vou renovar

Porque é que eu fui classificar

Já está dando uma embolada

Eu me embolei no A com B

Me embolei no B com A

Mas me diga onde é que está

A classe do A sem B

E a classe do B sem A

Não me diga que ela é C

Porque C é comunista

E vai dar muito na vista

E os homens vão te apanhar

Vou renovar

No rompante da embolada

Deu-se a classificação

Mas vou me livrar do fato

Concluindo a falação

Pra ficar tudo onde está

Eu não me chamo Benedito

E fica o dito por não dito

E o dito por não falar




Concreto e aço por sobre o azul do mar

Rio e Guanabara já podem se abraçar

A Praia do Flamengo vai até Icaraí

Niterói agora chega pelo alto até aqui

Ainda pouco eu vim de lá

Ainda pouco eu vim de lá

Das barcaças tão somente

A saudade vai ficar

A distância agora é um verso

A rimar concreto e mar




Eu ando caminhando pela aí

Procurando uma região sem dono

Local do qual me sinta proprietário

Usuário do que dele eu extrair

Tomaram palmo a palmo quase tudo

Absurdo, eu não consigo acreditar

Conquistarei um dia o meu lugar?

Preciso tanto recomeçar

Onde eu piso, dizem: isso não é seu!

Não é seu!

Tanta coisa boa eu deixo de fazer

De fazer

Quantos outros caminhantes como eu

Sonham tanto um paraíso pra viver?

Eu vi milhões de arames grossos e farpados

Já cansado, sobre a areia então chorei

Ali, gigantes blocos de concreto

Com seus tetos sobrepostos, levantei

O sol rachou meu violão de lado

Mas sou calado, não costumo me grilar

Até o Céu se encontra dividido

Seus antigos astros buscam seu lugar

E onde eu piso, dizem: isso não é seu!

Não é seu!

Tanta coisa boa eu deixo de fazer

De fazer

Grande parte de caminhantes já morreu

Sem o nosso pobre mundo compreender




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