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Acervo/blog

Passava noite, vinha dia

O sangue do negro corria

Dia a dia

De lamento em lamento

De agonia em agonia

Ele pedia o fim da tirania

Lá em Vila Rica

Junto ao Largo da Bica

Local da opressão

A fiel maçonaria, com sabedoria

Deu sua decisão

Com flores e alegria

Veio a abolição

A independência

Laureando o seu brasão

Ao longe soldados e tambores

Alunos e professores

Acompanhados de clarim

Cantavam assim

Já raiou a liberdade

A liberdade já raiou

Essa brisa que a juventude afaga

Essa chama

Que o ódio não apaga pelo universo

É a (r)evolução em sua legítima razão

Samba, ó samba

Tem a sua primazia

Em gozar de felicidade

Samba, meu samba,

Presta esta homenagem

Aos heróis da liberdade

Ô, ô, ô, ô Liberdade, senhor!




Hoje,

Trago em meu corpo as marcas do meu tempo

Meu desespero, a vida num momento

A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo

Hoje,

Trago no olhar imagens distorcidas

Cores, viagens, mãos desconhecidas

Trazem a lua, a rua às minhas mãos

Mas hoje,

As minhas mãos enfraquecidas e vazias

Procuram nuas pelas luas, pelas ruas,

Na solidão das noites frias por você.

Hoje,

Homens sem medo aportam no futuro

Eu tenho medo, acordo e te procuro

Meu quarto escuro é inerte como a morte

Hoje,

Homens de aço esperam da ciência

Eu desespero e abraço a tua ausência

Que é o que me resta vivo em minha sorte

Ah, sorte

Eu não queria a juventude assim perdida

Eu não queria andar morrendo pela vida

Eu não queria amar assim como eu te amei.




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