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Acervo/blog

Meu povo, preste atenção

Na roda que eu te fiz

Quero mostrar a quem vem

Aquilo que o povo diz

Posso falar, pois eu sei

Eu tiro os outros por mim

Quando almoço, não janto

E quando canto é assim

Agora vou divertir

Agora vou começar

Quero ver quem vai sair

Quero ver quem vai ficar

Não é obrigado a me ouvir

Quem não quiser me escutar

Quem tem dinheiro no mundo

Quanto mais tem, quer ganhar

E a gente que não tem nada

Fica pior do que está

Seu moço, tenha vergonha

Acabe a descaração

Deixe o dinheiro do pobre

E roube outro ladrão

Agora vou divertir

Agora vou prosseguir

Quero ver quem vai ficar

Quero ver quem vai sair

Não é obrigado a escutar

Quem não quiser me ouvir

Se morre o rico e o pobre

Enterre o rico e eu

Quero ver quem que separa

O pó do rico do meu

Se lá embaixo há igualdade

Aqui em cima há de haver

Quem quer ser mais do que é

Um dia há de sofrer

Agora vou divertir

Agora vou prosseguir

Quero ver quem vai ficar

Quero ver quem vai sair

Não é obrigado a escutar

Quem não quiser me ouvir

Seu moço, tenha cuidado

Com sua exploração

Se não lhe dou de presente

A sua cova no chão

Quero ver quem vai dizer

Quero ver quem vai mentir

Quero ver quem vai negar

Aquilo que eu disse aqui

Agora vou divertir

Agora vou terminar

Quero ver quem vai sair

Quero ver quem vai ficar

Não é obrigado a me ouvir

Quem não quiser escutar

Agora vou terminar

Agora vou discorrer

Quem sabe tudo e diz logo

Fica sem nada a dizer

Quero ver quem vai voltar

Quero ver quem vai fugir

Quero ver quem vai ficar

Quero ver quem vai trair

Por isso eu fecho essa roda

A roda que eu te fiz

A roda que é do povo

Onde se diz o que diz




Zé Qualquer tava sem samba,

Sem dinheiro Sem Maria sequer Sem qualquer paradeiro Quando encontrou um samba Inútil e derradeiro Numa inútil e derradeira Velha nota de um cruzeiro

Seu Marquês, Seu Almirante Do semblante

Meio contrariado Que fazes parado No meio dessa nota de um cruzeiro rasgado Seu Marquês, Seu Almirante Sei que antigamente

Era bem diferente Desculpe a liberdade E o samba sem maldade Deste Zé Qualquer Perdão, Marquês de Tamandaré Perdão, Marquês de Tamandaré

Pois é, Tamandaré, A maré não tá boa Vai virar a canoa E este mar não dá pé,

Tamandaré Cadê as batalhas Cadê as medalhas Cadê a nobreza Cadê a marquesa, cadê Não diga que o vento levou O teu amor até

Pois é, Tamandaré A maré não tá boa Vai virar a canoa E este mar não dá pé,

Tamandaré Meu marquês de papel Cadê teu troféu Cadê teu valor Meu caro almirante O tempo inconstante

Roubou

Zé Qualquer tornou-se amigo do marquês Solidário na dor Que eu contei a vocês Menos que queira ou mais que faça É o fim do samba, é o fim da raça Zé Qualquer tá caducando Desvalorizando Com o tempo que passa, passando Virando fumaça, virando Caindo em desgraça, caindo Sumindo, saindo da praça Passando, sumindo Saindo da praça Passando, sumindo.




Esta cova em que estás com palmos medida

É a conta menor que tiraste em vida

É a conta menor que tiraste em vida

É de bom tamanho nem largo nem fundo

É a parte que te cabe deste latifúndio

É a parte que te cabe deste latifúndio

Não é cova grande, é cova medida

É a terra que querias ver dividida

É a terra que querias ver dividida

É uma cova grande pra teu pouco defunto

Mas estarás mais ancho que estavas no mundo

Estarás mais ancho que estavas no mundo

É uma cova grande pra teu defunto parco

Porém mais que no mundo te sentirás largo

Porém mais que no mundo te sentirás largo

É uma cova grande pra tua carne pouca

Mas a terra dada, não se abre a boca

É a conta menor que tiraste em vida

É a parte que te cabe deste latifúndio

É a terra que querias ver dividida

Estarás mais ancho que estavas no mundo

Mas a terra dada, não se abre a boca.





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