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Acervo/blog

Sinto-me, porém, porém esmagado Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam Me intrigam ou inflamam-se se permanecesse Se permanecesse não manteria a calma E a tranquilidade hora que mandam E indispensáveis ao exercício da minha autoridade A mim não falta, não falta a coragem A mim não falta a coragem da renúncia

Fi-lo porque qui-lo

Fi-lo porque qui-lo

Fi-lo porque qui-lo

Fi-lo porque qui-lo





Eu nunca quis te dizer

Sempre te achei bacaninha

O tempo todo sonhando

A tua vida na minha

O teu rostinho bonito

Um jeito diferentão

De olhar no olho da gente

E de criar confusão

O teu andar malandrinho

O meu cabelo em pé

O teu cheirinho gostoso

A minha vida de ré

Você me dando uma bola

E eu perdido na escola

Essa fissura no ar

Parece que eu tô correndo

E sem vontade de andar

Quero te apertar

Quero te morder e já

Quero mas não posso, não, porque

Rubens, não dá

A gente é homem

O povo vai estranhar

Rubens, para de rir

Se a tua família descobre

Eles vão querer nos engolir

A sociedade não gosta

O pessoal acha estranho

Nós dois brincando de médico

Nós dois com esse tamanho

E com essa nova doença

O mundo inteiro na crença

Que tudo isso vai parar

E a gente continuando

Deixando o mundo pensar

Tua mãe teria um ataque

Teu pai uma paralisia

Se por acaso soubessem

Que a gente transou um dia

Nossos amigos chorando

A vizinhança falando

O mundo todo em prece

Enquanto a gente passeia

Enquanto a gente esquece

Quero te apertar

Quero te morder, e já

Quero mas não posso, não, porque

Rubens, não dá

A gente é homem

O povo vai estranhar

Rubens, para de rir

Se a tua família descobre

Eles vão querer nos engolir

Rubens, eu acho que dá pé

Esse negócio de homem com homem

Mulher com mulher





Uma musa matriz de tantas músicas

Melindrosa mulher e linda e única

Como o lado da lua que se oculta

Escondia o mistério e a sedução

Comovida com a revolução

De Guevara, Camilo e Sandino

Escutou meu espelho cristalino

Viajou nosso sonho libertário

Bela Inês, com seu peito de operário

A burguesa que amava o capitão

Acontece que a história não tem pressa

E o amor se conquista passo a passo

O ciúme é a véspera do fracasso

E o fracasso provoca o desamor

Bela Inês teve medo do Condor

Queimou cartas, lembranças do passado

E nessa guerra de Deus e do Diabo

Entre fogo cruzado desertou

Bela Inês, com seu peito de operário

Não me esconde seu ar conservador

Mas eu tenho um espelho cristalino

Que uma baiana me mandou de Maceió

Ele tem uma luz que me alumia

Ao meio dia, clareia a luz do sol

Apesar dos pesares não esquece

Nosso sonho real e atrevido

Bela Inês tem o peito dividido

Entre o porto seguro e o além-mar




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