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Acervo/blog

Fé em Deus

Eu só quero entrar na minha casa, seu moço

Ter o direito de ir e vir

Dar um beijo nas crianças

Beijar minha patroa

Ter o pão de cada dia, eu só quero é ser feliz

Essa noite comeu solto o tiroteio

Favela tava cercada, não tinha como sair

E a criançada atrás da porta em desespero

Pelo amor de Deus, papai tira a gente daqui

Aí então, uma lágrima desceu

Eu vi que minha força vinha da força de Deus

Só peço ao moço antes de apertar o gatilho

Que pense em seus filhos antes de matar os meus

Eu só quero entrar na minha casa, seu moço ...

É triste amigo a gente chegar do trabalho

E ser esculachado por um motivo que eu não sei

O rico sente pena, mas sentir pena é fácil

Ninguém passou na pele a humilhação que passei

E aos poderosos eu lanço um desafio

Viver um dia de pobre e o pobre um dia de rei

Mas eu só peço a aquele moço por favor

Antes de bater na cara, respeite o trabalhador

Eu só quero entrar na minha casa, seu moço ...

E aquela praça onde a violência

Acabava com a festa na minha adolescência

Muita coisa mudou, mas eu posso te contar

Hoje são meus filhos que não podem lá brincar

Pois a metralhadora ainda interrompe

Ameaça jovem, velho, criança, mulher e homem

O problema que era deles, passa a ser problema meu

Ter que aturar uns caras que nem sabem quem sou eu

Eu só quero entrar na minha casa, seu moço ...




Política

Nossa vida mais e mais ficando crítica Basta olhar que você vê que a vida cívica Deteriora tanto quanto a coisa pública Quanto choro, quanta fome, quanta súplica Quanto nojo de saber que gente estúpida De mamatas vão vivendo na República

Chegou lá sem declarar riqueza pública

Joga o jogo de enganar postura física De enganar figura lá postura cênica Vem política estúpida e anêmica Vem política raquítica, cínica Choque vai, vem inflação de forma cíclica Nem precisa consultar a estatística Pois de fato a gente sente a vida rústica Que não há como mudar o tom da música Pois vai mudar, vai melhorar, vai ficar nítida Sua alegria de viver será explícita Nos palanques bem montados, boa acústica São patéticas as promessas de política

De política em política

De política em política

De política em política

De política em política

Essa política gerando gente cínica O povo mais cada vez ficando cético Gabiru será um dia milimétrico São escândalos, processos quilométricos São sequestros, falcatruas sem inquéritos Ser parente se promove pelo mérito Superfaturada a compra, coisa lícita Divulgado o resultado da balística Só se tinha um tiro certo para o encéfalo Deram dois na inflação, efeito ínfimo Galopante volta a fera, segue o ritmo Qual doença degradando o corpo aidético Então o político declara ser o médico Diagnostica que a cura é pelo empréstimo Com certeza vai querer morder o dízimo E ao problema ele receita um analgésico E toda verba vai pro bolso dos corruptos E todo o povo ajoelhado ante o púlpito Ora a Deus, pede luz para o facínora Encarnado na figura do publícola

De política em política

De política em política

De política em política

De política em política

Avanço no futuro, cibernética Com videogame, disc laser, informática Mili-dados vão na fita magnética E essa política atrasando o sul da América Demagogia se tornando vida prática Recessão na economia mais estática A gente não sabemos nem uma gramática E na saúde como a coisa está dramática Se ganho vinte: noves fora, matemática Lá vai imposto numa construção lunática

Teve debate na TV, caiu na sátira Lobbies lobos lambem lá de forma sádica Outros bobos querem resolver na mágica Alguns acharam a solução compondo máximas Outros já preferem agir de forma tácita E tudo vai se aprofundando na retórica E de política o povo está com cólicas E vai levando na sua vidinha módica Quando o que dá risadas, sente cócegas Do salário de miséria, coisa cômica

Parlamentarismo, monarquia ou república Muda o nome e terão todos forma única Se não se mudar a mentalidade lúdica O modo de encarar a coisa pública Enquanto isso a esperança mais um brícola Secando a roupa no varal ainda úmida Sol batendo numa gota d'água fúlgida Que será de nós e de nosso habitat Sujando as mãos nós limparemos a política A inflação é consequência desse cólera E todo mal que nos assola é uma alíquota Cujo montante principal é a política Essa política sem lógica, sem nexo Essa política do próprio paradoxo Essa política larica mais que tóxico Essa política do fight bem no plexo Essa política que não respeita sexo Essa política perdida em circunflexo Essa política mentiras em anexo Essa política do choque heterodoxo

De política em política,

De política em política,

De política em política,

De política em política




Apenas um menino

Tateando no escuro

Seu futuro já se previa cruel

A realidade sempre faz o seu papel

Um menino e sua vida abandonada, largada

Nada mais a dizer, página virada

Se liga na ideia então

Ele já não mais um menino

Mas um jovem mau

Marca na dele que ele senta o dedo

Conhece os becos, bocas, guetos

Pontos de disputa e vai à luta

Já que não tem nada a perder

Pois o que tinha perdeu

Sua mãe sumiu

E nada aconteceu pra sua vida

Não ser marginalizada

E ficam discutindo sobre o que fazer

Pô, mas o menino que agora cresceu

Revoltado, o coração em chamas

Ódio, pensamento, vingança

Só se vê criança por aí

É só mais um outro

Bebê a bordo, mala sem alça

Saco de osso, fosso no poço

Mas que bonitinho

Como aconteceu?

Choraria lágrimas de sangue

Mas problema seu

Mas agora ele é o crime

Compaixão o caralho

Marca na minha, velho

Piolhagem é mato

Pago um sapo é ripa e pinote

Sem segredo, sento o dedo e vai

Com a sua sorte, sangue B

Levando a boa, um grito ainda ecoa

Tarde demais, já penetrou o canto escuro

Jaz

Drogas, crimes, trinta e oito à mão

Profissão ladrão (4 x)

Lá no pote o bicho pega

E ele esteve lá

Caguetado, foi trancado

E teve mau comportamento

Mas saiu lá de dentro um H

Na confusão, na queima de colchão

Camarão que dorme a onda leva

Tava solto e voltaria pra guerra

Levando a essa sociedade sua educação

Seu canudo assinado pela vida nua

Seu boletim com média dez

De frequência na rua, ladrão

Porque ladrão é a profissão que me dignifica

No seio da malandragem levo a vida rica

Com pó e mulher, nunca fico só

Às vezes na deprê fica triste e chora

Mas ali ninguém se atreve a lhe dizer o que fazer

O que é feio, o esgoto, o arroto, o aborto

O que é feio, por pra fora a sua emoção

A fim de aliviar a dor que traz a infância no seu coração

Acompanhado está, mas brilha nos seus olhos sua solidão

Sua escuridão, sua podridão, sua imensidão

O sistemão bota a sua matilha na vida

A presa foge carregando a ferida

A cicatriz a presa usa pra se revoltar

E desferir a mordida maluco

No pai......

Ele não tem escrúpulos

É um homem mau

A morte é amiga sua

Tem que sobreviver

Com um dedo ele a deixa nua

E se tornou até prazer

A revolta por ele atua

A vida lhe ensinou assim

Filho da rua ... da puta

Um homem mau

Ah! Vai se foder, caralho

Segura a onda vai

Tivesse igual infância carente na mão

Não agiria diferente, você não?

Se você tivesse na minha, filho

Segura, queria ver se você tivesse na minha

Mas sua infância foi amada

Felizmente, man

Ou seria mais um?

E página virada

É o que você pensa, né

Drogas, crimes, trinta e oito à mão

Profissão ladrão (4x)

E ficam discutindo sobre o que fazer

Com mais um menino que agora cresceu

E ficam liquidando, ficam exterminando

Antes o menino mas agora cresceu (2x)

Ladrão, Ladrão

Drogas, crimes, trinta e oito à mão

Profissão ladrão




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