O rap aqui é baseado na base de ideias pesadas
Mancadas registradas são transformadas em pancadas sonoras
Pois o que temos pra falar a gente fala na tora
Tô pronto pra disparar, a mente está engatilhada
Vamos ver o que é que dá, pois a polícia civil é paga para proteger o povo
Em 24 horas diárias no plantão da corrupção
Então, o ciclo vicioso nunca vai se quebrar
Polícia prende o ladrão, telefonema é dado, advogado é chamado
Aliás, nem poderia ser chamado de advogado
Mais parece um vampiro porta de cadeia
Vergonha da profissão
Seu pagamento é toca-fitas, droga, tela, vídeo
Eles completam o ciclo
O acerto com a polícia já foi combinado
O mano foi liberado, o artigo era pesado
157 na lei um crime inafiançável
Mas não é nada que 10 mil reais não possam resolver
Talvez explique a origem daqueles carros zero sem placa
Que os investigadores desfilam na quebrada
Mas tudo bem, tá valendo, o mano tá na rua, tá na correria
Precisa levantar o dinheiro, está chegando o dia
O mano volta a exercer a sua profissão
Meter o cano é a saída, é a solução
O pagamento da polícia é sagrado
Eu observo esse ciclo e chego a uma conclusão
Que a polícia é o patrão que existe pra garantir o emprego do ladrão
Se liga mano, muda de trampo
Principalmente você que está desempregado
Não venha pra esse lado, não venha ser escravo
Desse ciclo vicioso e odioso
Eu sei que é foda
Eu peço a Deus que ilumine o seu caminho
Te ajude a educar aquele seu pivetinho
Longe do crime, longe das drogas
Ensine ao seu filho que ele tem valor
Independente de raça ou cor
Não espere por ninguém a mudança começa a partir de você
Quem planta amor só colhe amor
Quem planta ódio só colhe ódio
Cultive a paz no campo da vida e com certeza
Maluco, vamos encontrar uma saída
Aqui em Hortolândia fonte de renda é escassa
Escassa como a água que falta todo dia
Mas a piscina do Padovani não, ela nunca está vazia
Crianças passando sede, ele descansa na rede
Depois de um belo mergulho
E ainda diz que as crianças são a esperança e o futuro
Escolas por aqui eu não vejo construir
25% do orçamento
Na teoria é destinado para a educação
Mas no fim desaparecem entre as nuvens da corrupção
É domingão e aquele mano vai lá
Adquirir seu exemplar do Correio Popular
Precisa ler os classificados, faz um tempo que tá parado
Precisando trampar, com três pivetes pra criar
Não consegue se encaixar abre o jornal pra ler
Não há vaga, o que fazer?
O aluguel tá pra vencer, foi despejado, não pode ser
O direito de morar é sagrado
Cadê as casas populares prometidas na campanha?
Ir pra favela foi a solução
Não que morar em barracos seja vergonha não
Vergonhosa mesmo é a pirâmide social
10% com a riqueza, 40% na pobreza, 50% na miséria
A elite critica o rap nacional, música de marginal
Que excita a violência, mas essa ideia é errada
Com o rap ou sem o rap vai existir violência
Enquanto não houver decência na política
Talvez um pouco de autocrítica ajudasse
O nível de corrupção é extremamente elevado
A começar pelos vereadores
Trampam uma hora por semana e ganham mais de 3 mil, direito a 3 assessores
Numa cidade como Hortolândia é uma vergonha
Agora eleva esta merda a nível estadual
Se for pensar a nível federal é uma loucura
E toda essa violência é aceita com veemência
E ainda são chamados por pronomes exagerados
Como nobre e excelência
Fica perdida a pergunta: quem gera a violência?
A sociedade tem a imagem distorcida da verdade
Valores discutíveis
Vivemos num capitalismo totalmente selvagem
Se mede o homem pelo bolso
E não pela sinceridade e caráter
E não é só nos grandes centros, veja o caso do MST
Na luta pela terra quantos ainda vão morrer, eu não sei
Deus fez o homem e deu a honra pra ele
Mas o demônio fez o dinheiro
E a cobiça pra foder com ele
Casamentos são desfeitos por falta de grana
Se o mano está de gravata, ele é respeitado
Se usa uma calça larga, ele vai ser zoado
Se trombar com a polícia, com certeza é enquadrado
Quem curte o nosso movimento é sempre discriminado
Taxado como marginal padrão
Eu pergunto por que a polícia não embaça
Com os caras que usam terno e gravata e roubam toda nação
Infelizmente esse é o nosso país o tetra campeão
A alegria da elite é ver o pobre matando pobre
Se drogando enchendo a cara e agindo dessa forma
Fica fácil pra eles manipularem nossa classe
Se utilizam da mídia pra foder com você
É hora de rezar trabalhar estudar pra melhorar
A informação é a chave de tudo, passem isso aos irmãos
Vamos pensar no futuro
Vamos reforçar o verde da nossa esperança
Construir um Brasil cada vez mais belo
Cada vez mais branco, azul e amarelo
Autores: Almir de Araújo, Marquinhos Lessa, Hércules Correia e Balinha. Intérprete: Simone. Gravadora: CBS. LP: Sedução.
É ruim de segurar Assim não dá, é padecer Do jeito que está Vamos pagando pra sobreviver Se trocou não mudou nada Jogo de carta marcada É só perder A panelinha armada Tem muita brasa E ninguém bota pra ferver Isso aqui tá brincadeira Ou será que não está Brasileiro, brasileira Tá na hora de gritar
Chega De levar tanta porrada Vamos ver se a papelada Dessa vez é pra valer Chega Tá virando sacanagem As promessas são bobagens Que só faz aborrecer Cansado Rasgo a fantasia Dessa anarquia Na disputa do poder
Piuí, piuí, puá, puá Eu quero ver onde essa zorra Vai parar
Brasil já vai a guerra,
Comprou um porta-aviões Um viva pra Inglaterra
De 82 bilhões Ahhhh! mas que ladrões
Comenta o zé povinho, Governo varonil, Coitado coitadinho, Do Banco do Brasil Ah, ah, quase faliu.
A classe proletária Na certa comeria Com a verba gasta diária Em tal quinquilharia Sem serventia.
Alguns bons idiotas Aplaudem a medida, E o povo sem comida Escuta as tais lorotas Dos patriotas.
Porém há uma peninha De quem é o porta avião É meu, diz a marinha, É meu, diz a aviação Ahhhh! Revolução!
Brasil, terra adorada Comprou um porta aviões Oitenta e dois bilhões Brasil, oh pátria amada, Que palhaçada.
