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Acervo/blog

Comunico, meus amigos, que eu vou me candidatar

Pois concorro a um cargo, desta vez vou legislar

Já tenho um programa de alcance nacional

Em cada escola de samba eu tenho um cabo eleitoral

Se eu for eleito, ordeno a abertura do cassino

Precisamos de divisas e incentivo ao turismo

Farei uma curriola entre os membros do Senado

Regulando o divórcio, pois o papai está enrascado

Para assimilação do imigrante estrangeiro

Vou obrigar a todos eles a aprender tocar pandeiro

Amparar as profissões de boêmio e de sambista

Vou isentar de todo imposto a quem for malabarista

Para dar mais incentivo à indústria nacional

Vou pedir aos meus amigos da coluna social

Para fazer com que o grã-fino que sem a moda não passa

Ao entrar numa boate peça um gole de cachaça

Mas se houver uma surpresa e o papai for derrotado

Apelo para a ignorância e dou um golpe de Estado

– Se o Lott me deixar e se o Lacerda me ajudar.






Tô p da vida

Tô vendo a gente tão pra baixo

Um baixo astral, um cambalacho

E muito pouco amor a vida

Tô p da vida

E o mundo em volta da ferida

Em transes loucos, transas nossas

De mãos atadas, vistas grossas

É muito pouco amor a vida

Tô p da vida

Tão pondo fogo no planeta

E quem não tá vira careta-tá-tá

A fina a flor do preconceito

De cor de raça de sujeito

Isso tem jeito

Isso tem jeito

We are the world lá nas paradas

E gerações desperdiçadas

Em tantas lutas sem sentido

Feche as cortinas do passado

Mundo grilado, dolorido e que se conforma

Tô p da vida

Lances, jogadas ensaiadas

Nas mesas das Nações Unidas

Azucrinando nossas vidas

Jogo de dados combinados

Dados marcados

Tô p da Vida

Mas não me sinto derrotado

Não tem gatilho, nem cruzado

Que vai me pôr nocauteado

A esperança é uma música

Canta essa música, nossa música, é nossa música

Tô p da vida

Tô vendo a gente tão pra baixo

Um baixo astral, um cambalacho

E muito pouco amor à vida

Tô p da vida

Mas isso quase não é nada

Tem que enfrentar essa parada

E tem que pôr a mão na terra

Eu tô na guerra pela vida

Só pela vida, viva a vida, viva a vida




]Transamazônica

É norte, sul, leste e oeste

Em suma resume seu rumo

Nos pontos cardeais

Transamazônica

É rota reta e a ponta da seta

Aponta para a meta

De dez capitais

Machão, machados, facão

Correm tratores no chão

Esse ferro fere espalhando a terra

Calando o bico do azulão

Homens de aço que vão

Que traçam destino na mão

Essa estrada longa

É serpente viva

Serpenteando o sertão






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