Letra: A. F. Castro Leal. Música: Boaventura Fernandes do Couto. Intérprete: Tereza Pineschi. Gravadora: Por do Som. CD: “O teu gramofone é bão”.
Estamos no século das luzes
Já não há que duvidar;
Temos gás por toda a parte
Para nos alumiar
A, E, I, O, U,
Já não custa aprender,
Já se ensina de repente
Sem as letras conhecer.
Temos estradas de ferro
Para mais depressa andar,
Todos hão de correr tanto
Que por fim hão de cansar.
Ba, be, bi, bo, bu, etc
Já com novo calçamento
Vejo as ruas se calçar;
De fino sapato e meia
Já se pode passear.
Ça, ce, ci, ço, çu, etc.
Já se alargam bem as ruas,
A do Carmo é a primeira;
Hoje tudo são progressos
Da famosa ladroeira.
Da, de, di, do, du, etc.
Água suja, cisco e tudo
Já se não deve ajuntar;
É só lançar-se nas ruas
Que as carroças vêm buscar.
Fa, fe, fi, fo, fu, etc.
Já se seguram as vidas,
Já se não deve morrer;
Quem tem sua creoulinha
Não tem medo de a perder.
Ga, gue, gui, go, gu, etc,
Temos água pelos cantos,
Que sempre estão a correr;
E sujo por falta de água
Ninguém mais deve morrer.
Ja, je, ji, jo, ju, etc.
Já temos grandes teatros,
E a empresa quer crescer;
Estamos – num céu aberto,
Isso sim, é que é viver.
La, le, li, Io, lu, etc.
Quando há fogo na cidade
São Francisco dá o aviso;
O Castelo corresponde
Com três tiros do Gabizo.
Ma, me, mi, mo, mu, etc.
Os estrangeiros s'empregam
Nessa nova exploração;
Nada tendo de fortuna
Vem ganhar um dinheirão.
Na, ne, ni, no, nu, etc.
Nacionais de boca aberta
Nada tendo que comer,
Vivem como o boi de canga
Caladinho até morrer.
Pa, pe, pi, po, pu, etc.
Com a carestia dos gêneros,
Como o pobre há de viver?
Com tão pequeno salário
Como honrado pode ser?
Ra, re, ri, ro, ru, etc.
Os poderosos não querem
Co'a pobreza s'importar;
O pobre cheira a defunto
Pois só sabe importunar.
Sa, se, si, so, su, etc.
Eis o que é o país natal
Dos filhos que viu nascer;
Qualquer estrangeiro à toa
Vem aqui enriquecer.
Ta, te, ti, to, tu, etc.
Já temos por felicidade,
Melhor colonização;
Felizmente se acabou
A negra especulação.
Va, ve, vi, vo, vu, etc.
Os transportes são imensos,
Quer por terra, quer por mar;
Até se pode seguro
Já navegar pelo ar.
Xa, xe, xi, xo, xu, etc
Enfim ninguém já duvida
De tamanha perfeição;
Que não ha século como este
De maior ilustração.
Za, ze, zi, zo, zu, etc.
Letra e música: autores desconhecidos. Intérprete: João Nabuco (piano e canto). Gravação independente.
Rio-grandense faz timbre
Pela pátria em dar a vida
Pobre herói, ama o progresso
Não quer a pátria oprimida.
De Caseros na vitória
Foi Osório grão guerreiro,
Suas glórias, sua fama,
São do povo brasileiro
Do rei o trono defende
Fiel à Constituição
Sua espada triunfante
Da liberdade o brasão
De Caseros na vitória ...
Do regresso no cinismo
No embuste dos traidores,
Pisa avante, recebendo
Patrióticos louvores
De Caseros na vitória ...
Letra: autor desconhecido. Música: Januário da Silva Arvellos. Intérprete: João Nabuco (piano e canto). Gravação independente.
Não sabem o que aconteceu?
O Telles carpinteiro
Para Santa Filomena
Andava a pedir dinheiro
Mas não tinha, não, licença
Da Câmara Municipal
Eis que encontra o pobre Telles
Com a guarda e com o fiscal
Fica o bicho atrapalhado
De opa e bacia na mão
Quando o fiscal disse aos guardas
“Peguem aquele ermitão” (irmão)
O Telles mui apertado
No coração sente dor
E dando azeite nas pernas
Meteu-se num corredor
Sacou a opa às carreiras
A bolsa nela envolveu
E disse todo assustado
Quem vai se embora sou eu.
Nada, nada, meu Tellinhos,
Não torno noutra a cair;
Sem tirar a tal licença
Pra santa não vou pedir.
Mas a Santa fez milagre
Pela minha devoção.
Ai, livrou-me de ser preso
E pagar condenação.
Esta Santa Filomena
É uma santa muito bela;
Mas sem tirar a licença
Nada mais peço pra ela.
Puxando pela boceta
O Telles toma tabaco;
E vai fugindo dos guardas
Oh! Que cara de macacos!
Mui padece quem é pobre
Neste mundo de ilusão,
Quando mal a gente pensa
Vai cair na correção.
