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Acervo/blog

os sem-terra afinal

estão assentados na

pleniposse da terra:

de sem-terra passaram a

com-terra: ei-los

enterrados

desterrados de seu sopro

de vida

aterrados

terrorizados

terra que à terra

torna pleniposseiros terra-

tenentes de uma

vala (bala) comum:

pelo avesso afinal

entranhados no

lato ventre do

latifúndio

que de im-

produtivo re-

velou-se assim u-

bérrimo: gerando pingue

messe de

sangue vermelhoso

lavradores sem

lavra ei-

los: afinal con-

vertidos em larvas

em mortuá-

rios despojos:

ataúdes lavrados

na escassa madeira

(matéria)

de si mesmos: a bala assassina

atocaiou-os

mortiassentados

sitibundos

decúbito-abatidos pré-

destinatários de uma

agra (magra)

re (dis) (forme) forma

-fome- a-

grária: ei-

los gregária

comunidade de meeiros

do nada:

enver-

gonhada a-

goniada

avexada

-envergoncorroída de

imo-abrasivo re-

morso-

a pátria

(como ufanar-se da? )

apátrida

pranteia os seus des-

possuídos párias-

pátria parricida:

que talvez só afinal a

espada flamejante

do anjo torto da his-

tória cha-

mejando a contravento e

afogueando os

agrossicários sócios desse

fúnebre sodalício onde a

morte-marechala comanda uma

torva milícia de janízaros-ja-

gunços:

somente o anjo esquerdo

da história escovada a

contrapelo com sua

multigirante espada po-

derá (quem dera!) um dia

convocar do ror

nebuloso dos dias vin-

douros o dia

afinal sobreveniente do

justo

ajuste de

contas

Quando eu morrer, que me enterrem Na beira do chapadão -- contente com minha terra cansado de tanta guerra crescido de coração Tôo (apud Guimarães Rosa)

Zanza daqui Zanza pra acolá Fim de feira, periferia afora A cidade não mora mais em mim Francisco, Serafim

Vamos embora

Ver o capim Ver o baobá Vamos ver a campina quando flora A piracema, rios contravim Binho, Bel, Bia, Quim Vamos embora

Quando eu morrer Cansado de guerra Morro de bem Com a minha terra Cana, caqui Inhame, abóbora Onde só vento se semeava outrora Amplidão, nação, sertão sem fim Ó Manuel, Miguilim Vamos embora




Laço de índio eu vi, menino Virando lenda, picando limbo Pintando corpo com alma e festa Eu vi, eu vi, eu vi Vi curumim comer curimã Correr na manhã, esconder do fim Tocando uma pan para os passarinhos Eu vi, eu vi, eu vi

Pois passarinho é pra cantar Ó, menino Passarinho é pra voar Pois passarinho é pra voar Ó, menino Passarinho é pra cantar

Vi armar uma arapuca Com a isca do progresso Quem comer desse feitiço Desconhece o seu lugar

É isso que se tem pra dar

Ó, menino

O tal do civilizado

Na madrugada pega a poronga Sai na picada riscando o tronco Da seringueira, mãe da floresta Eu vi, eu vi, eu vi Vi o empate na derrubada A motosserra ficou calada Salvar a mata, salvar a pátria Eu vi, eu vi, eu vi

A morte defendendo a vida Ó, menino A morte de quem quer a vida A morte de quem quer a vida Ó menino A morte defendendo a vida

Um soldado que virou Seringueiro sem valor Hoje a pátria que conhece É a mata que restou A guerra não acabou por lá Ó, menino Pra quem vive e defende a terra







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