Autores: Ademar Bogo e Willy C. de Oliveira. Intérprete: Coral da USP. Gravação especial do MST. CD: Arte em movimento (2002).
Vem, teçamos a nossa liberdade Braços fortes que rasgam o chão Sob a sombra de nossa valentia Desfraldemos a nossa rebeldia E plantemos nesta terra como irmãos
Vem, lutemos, punho erguido Nossa força nos leva a edificar Nossa pátria livre e forte Construída pelo poder popular
Braço erguido, ditemos nossa história Sufocando com força os opressores Hasteemos a bandeira colorida Despertemos esta pátria adormecida O amanhã pertence a nós, trabalhadores
Vem, lutemos, punho erguido ...
Nossa força resgatada pela chama Da esperança no triunfo que virá Forjaremos desta luta com certeza Pátria livre operária, camponesa Nossa estrela enfim triunfará
Vem, lutemos, punho erguido ...
Quem viu os colonos sem terra
Semeando no asfalto da serra
Colheitas de soledade
Sem terra, sem terra, sem terra
Amassando o pão da esperança
No arame da imensidão
Arado, perigo, parado
Sem trigo, sem trigo e sem chão
Sem terra, sem terra, sem terra
Louvado será Jesus Cristo
E paz entre os homens na terra
Louvado colono corisco
Que há de abrir toda cancela
Na invernada do infinito
Da plantação aquarela
Do colono aqui faminto
Do sal, do sal, do sal da terra
Sem terra, sem terra, sem terra
No meio de tanta terra
Que nunca se sabe o dono
De tanta terra sem colono
Sem terra, sem terra, sem terra ...
Mãe, cozinheira, colona
Curtida no barro da espera
Quem viu tua cidade de lona
Sem erva, sem erva, sem erva
E a gurizada guaipeca
Semente da terra natal
Que nunca pivete em favela
Pivete em favela na capital
Sem terra, sem terra, sem terra
Meu coração violeiro
Do chimarrão já não sabe
Cantigas do velho Guaíba
Não sabe, não sabe, não sabe
Se é chamamé, o que é, o que é
Se é um bugio, que-os-pariu, o que é
Milonga, milonga, milonga não é
Sem-terra, sem-terra é o que é
Sem terra, sem terra, sem terra ...
Autores: Bicalho e Sílvio Modesto. Intérprete: Bezerra da Silva. Gravadora: RCA Vik. LP: Alô malandragem, maloca o flagrante.
Alô, alô, dona de Casa
Fiscais do Presidente, se liga
Tabela de preços na mão
E vamos lutar contra a inflação
Se liga, tubarão
E não é mole não
Vivendo dessa maneira
Eles inventaram essa tal de inflação
Mas o Presidente deu aquela rasteira
Não é mole não (tubarão)…
O meu salário é o mínimo
Porém é o máximo que eu consigo vender
Desconto pro INPS
E o maldito Leão ainda quer me morder
ORTN, INPC, eu escuto dizer
Eu não sei o que é
Eu só sei que recebi meu pagamento
Não deu pra comprar meu alimento
Remarcaram os preços e eu fiquei a pé
Não é mole não (tubarão)…
O que não consigo entender
O meu nome é sujo no SPC (caloteiro!)
Meu crédito é cortado na praça
Não me vendem fiado, nem o que comer
O banco não me empresta dinheiro
Porque não tenho bens para me garantir
Veja bem, não pedi nada emprestado
Dizem que devo dólar adoidado
Ao famigerado FMI
Não é mole não…
E agora é que eu quero ver
Os ladrões de gravata o que vão fazer
O bicho vai pegar adoidado
Em cima daquele que não obedecer
O trabalhador que já pode
Com a sua família fazer sua ceia
Se os federais chegarem num supermercado
Encontram os preços remarcados
Dão bolacha no gato e mete na cadeia
Não é mole não (tubarão)…
