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Acervo/blog

Sr. Presidente, espero que se encontre bem

Pois a nossa gente ainda anda esmagada no trem

Idosos vendendo pipoca e amendoim

Que país é este, meu Deus, o que será de mim?

Sr. Presidente, a semana passada – quem viu?

A nossa cidade de tanta água quase que sumiu

No posto de saúde não tinha ninguém pra atender

A pobre da moça que estava pra ganhar neném

Acabou nascendo um menino forte e bonitão

Que a gente faz votos pra que não vire ladrão

A mãe só tem quinze e o pai foi preso na boca

E nas faculdades o crack é a nova onda

Sr. Presidente, eu me sinto contente

Porque pelo menos parou pra me ouvir

(Em Brasília, 19 horas)




Estou sonhando de olhos abertos

Estou fugindo da realidade

Todas as cervejas já bebi

Todos os baseados já fumei

E o que há de errado no mundo

Meus olhos já não podem ver

Eu estou do jeito certo

Pra qualquer compromisso assumir

É assim que me querem

Sem que possa pensar

Sem que possa lutar

Por um ideal

É assim que me querem

A ver na TV todo o sangue jorrar

E ainda aprovar

A pena capital

A pena capital

É assim que me querem

É assim que me querem

E me vendem essa droga

E me proíbem essa droga

Para os desavisados poderem pensar que o governo combate

Invadindo a favela, empunhando fuzis

Juntando dinheiro corrupto para a platina no nariz

É assim que me querem

Sem que possa pensar

Sem que possa lutar

Por um ideal

É assim que me querem

Ao ver na TV todo o sangue jorrar

E ainda aprovar

A pena capital

A pena capital




Fui de esquerda, hoje eu sou um neoliberal

Marxista, chegadão num capital,

Mulatinho, tenho um pé na cozinha

(Francesa, sem dúvida)

Rive Gauche, Montparnasse etc e tal

Sociólogo, filho de um general

Subo em jegue, mas sou intelectual

Um gourmet degustando buchada de bode

(Como é que pode!)

Sou assim um ser paradoxal

Bem que meu vice

Me disse que era tolice

Eu me preocupar

Minha saúde é de ferro

Naquela cadeira ele não vai sentar

Não sei se eu acredito

No que foi dito por Maciel

(Meu Deus do céu!)

Cruz credo, que bruta medo

Dr. Tancredo virou tabu

(Huu!)

Max Weber discuti muito com Foucault

Em Nanterre cheguei a ser professor

Desbundei com o Caetano Veloso

(Chico Buarque é repetitivo?)

Esnobei Simone de Beauvoir

(Sai pra lá, perua!)

Jean Paul Sartre dedicou-me “L’être et le néant”

Com palavras tipo: Eu sou você amanhã

Mão aberta de planos para o futuro

Mais pão duro que o Fernando Gasparian

E o Ziraldo, com o bichinho da maçã

Mais sem graça do que o Pedro Malan




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